Um levantamento recente mostrou que muitos brasileiros ainda têm dificuldade para organizar as próprias contas e pensar no futuro. A pesquisa “A relação dos brasileiros com dinheiro”, feita pela empresa Nexus, revelou que mais da metade das pessoas das classes A, B e C não faz nenhum tipo de planejamento financeiro. O dado chama a atenção porque essas classes representam cerca de 120 milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep).

O levantamento apontou também que esse hábito está diretamente ligado à idade, à escolaridade, à renda e até à região do país onde a pessoa vive.
Jovens pensam mais no futuro
A pesquisa mostrou que, entre os mais jovens, existe maior interesse em se organizar financeiramente. Na faixa etária entre 16 e 24 anos, 72% disseram que já têm algum tipo de planejamento. Esse número é bem maior do que o encontrado entre os idosos. Entre pessoas com mais de 60 anos, apenas 23% afirmaram ter esse cuidado com as finanças.
Na idade intermediária, entre 25 e 40 anos, os resultados ficaram equilibrados: 51% disseram que planejam, enquanto 49% afirmaram que não fazem nenhum tipo de controle. Esse dado indica que, nessa fase da vida, muitos continuam em dúvida sobre como se organizar, seja por gastos maiores com família e filhos, seja pela dificuldade de guardar dinheiro.
Outro ponto importante da pesquisa é a diferença entre as classes sociais. Na classe A, onde estão as pessoas de maior renda, 86% responderam que possuem algum tipo de planejamento. Já entre as classes mais baixas, os índices caem bastante, o que mostra que quanto menor for a renda, maior a dificuldade em organizar e guardar dinheiro.
Dificuldade em poupar
O estudo da Nexus revelou também que metade dos entrevistados disse nunca ou raramente conseguir guardar parte da renda no fim do mês. Entre eles, 24% admitiram que nunca poupam e 26% afirmaram que raramente conseguem. Outros 16% disseram que às vezes sobra algum valor, enquanto 19% responderam que conseguem guardar dinheiro na maioria dos meses. Apenas 15% afirmaram que conseguem economizar todos os meses.
Segundo Marcelo Tokarski, diretor da Nexus, essa dificuldade está ligada principalmente ao nível de escolaridade e ao tipo de emprego ocupado. “Quem tem menos estudo costuma ocupar cargos que pagam salários mais baixos, daí a grande dificuldade em poupar. Já entre os jovens, que em muitos casos ainda contam com algum tipo de ajuda da família, mais da metade consegue economizar na maioria dos meses”, explicou.
O dado reforça que, mesmo com renda baixa, os mais novos podem ter condições melhores de economizar porque ainda não possuem tantas responsabilidades, como aluguel, filhos ou contas fixas elevadas.
Diferenças entre as regiões do Brasil
A pesquisa também mostrou que o planejamento financeiro varia bastante conforme a região do país. Entre os moradores do Sul, 79% afirmaram que organizam suas finanças. Já no Nordeste esse número cai para 45%, e no Sudeste, para 43%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, apenas 40% disseram que planejam os gastos e ganhos.
Essas diferenças regionais podem estar ligadas a fatores como renda média da população, custo de vida e acesso a informações sobre educação financeira. Em áreas onde o custo de vida é menor ou a renda média é mais alta, sobra mais espaço para guardar dinheiro e planejar o futuro.
Como foi feita a pesquisa?
O levantamento foi realizado pela Nexus, empresa especializada em pesquisas de opinião e análise de dados. Para isso, foram feitas 1.010 entrevistas pela internet nos dias 8 e 9 de agosto de 2025. Os entrevistados tinham a partir de 16 anos e pertenciam às classes A, B e C, conforme o Critério Brasil, da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep).
A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o grau de confiança é de 95%. Isso significa que, se a pesquisa fosse repetida várias vezes, em 95 de cada 100 tentativas o resultado seria o mesmo.
A Abep define as classes sociais conforme a renda média das famílias. No Brasil, a classe A é a mais alta e tem renda média de R$ 26.811,68. Já a classe C2, que faz parte do grupo mais baixo, tem renda média de R$ 2.403,04.


