Receber o salário em duas parcelas mensais, como no dia 5 e no dia 20, é uma realidade comum em muitas empresas brasileiras. Esse modelo de pagamento pode trazer vantagens para quem gosta de ter entradas de dinheiro mais frequentes, mas também exige muita organização. A falta dela pode gerar gastos acima da renda disponível e até o uso maior do cartão de crédito ou cheque especial.
Segundo dados do Banco Central do Brasil, em julho de 2025 o saldo das famílias brasileiras em operações de crédito chegou a R$ 2,15 trilhões, com taxa de inadimplência de 5,2%. Isso mostra a importância de planejar o orçamento para não recorrer ao crédito de forma emergencial.
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Identificar despesas fixas e variáveis pode auxiliar a organização
O primeiro passo é listar todas as despesas mensais, separando os gastos fixos (como aluguel, condomínio, água, luz e internet) dos variáveis (supermercado, transporte, lazer e compras pontuais).
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023 a média de gasto mensal das famílias brasileiras foi de R$ 5.100, considerando todas as classes sociais. Dentro desse valor, as despesas com habitação representaram cerca de 18,9%, alimentação 17,5% e transporte 13,5%.
Conhecer esses números ajuda a distribuir o salário de forma proporcional e mais realista, reduzindo a chance de desequilíbrio.
Estratégia de divisão do salário
Ao receber em duas datas é importante organizar uma divisão proporcional das despesas. Uma forma prática é usar a regra do 50/30/20:
- 50% da renda destinada a despesas essenciais,
- 30% a gastos pessoais e variáveis,
- 20% para poupança ou investimentos.
Se o salário mensal é de R$ 3.000, por exemplo, pagos em duas parcelas de R$ 1.500, cada entrada deve ser planejada dentro dessa proporção. Assim, evita-se gastar a primeira parcela com lazer e comprometer contas fixas que vencem antes do dia 20.
Contas com vencimento antes e depois do dia 15
Um dos pontos de atenção é a data de vencimento das contas. É importante organizar as faturas com os dias de pagamento, quando possível. Bancos e concessionárias de serviços geralmente permitem ajuste de datas.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o cartão de crédito é hoje o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, representando 43% das transações eletrônicas em 2024. Ajustar a data de vencimento da fatura para logo após o recebimento pode ajudar a evitar atrasos e juros, que podem ultrapassar 400% ao ano no rotativo, segundo dados do Banco Central.
Reserva financeira como proteção
Outra recomendação é formar uma reserva de emergência, ainda que pequena. De acordo com pesquisa do Datafolha encomendada pela Anbima em 2024, 54% dos brasileiros não guardam dinheiro regularmente, e apenas 25% afirmam ter alguma reserva para emergências.
Ter uma reserva de pelo menos três meses de despesas fixas ajuda a lidar com imprevistos, como atrasos no pagamento do salário, despesas médicas ou reparos urgentes.
A importância de anotar e revisar
A prática de anotar receitas e despesas ainda é uma das formas mais eficientes de manter o controle. Aplicativos de finanças pessoais podem ajudar, mas até mesmo uma planilha simples já é suficiente.
A Serasa, em levantamento de 2025, mostrou que 72,4 milhões de brasileiros estão inadimplentes, o equivalente a 43,5% da população adulta. O valor médio das dívidas é de R$ 5.150, principalmente em bancos e cartões de crédito.
Esses números reforçam a necessidade de acompanhar os gastos para não comprometer a renda com dívidas de longo prazo.
Ajustes e disciplina no dia a dia
Manter disciplina financeira significa revisar constantemente o orçamento, ajustar metas de acordo com a realidade e ter cuidado com pequenos gastos do dia a dia, que somados podem desequilibrar o orçamento mensal.
Pequenas mudanças, como cozinhar em casa em vez de pedir delivery, ou usar transporte público em alguns trajetos, podem gerar economias significativas no fim do mês.


