Como o caso começou?
O episódio tem origem em julho deste ano, quando foi descoberta a invasão aos sistemas da C&M Software, uma empresa de tecnologia que presta serviços a diversos bancos e instituições de pagamento. Essa companhia atua como intermediária de processos digitais importantes para a movimentação de dinheiro, o que fez dela um alvo estratégico para os hackers.
Na ocasião, um funcionário da empresa, João Nazareno Roque, de 48 anos, foi preso acusado de facilitar o ataque. Ele trabalhava como operador de tecnologia da informação e admitiu ter entregue logins e senhas aos criminosos em troca de cerca de R$ 15 mil.
De acordo com o relato obtido pelos investigadores, Roque recebia instruções detalhadas por meio da plataforma Notion, usada como ferramenta de organização pelo grupo. Ele executava comandos diretamente nos sistemas da empresa desde maio, o que abriu caminho para as fraudes em larga escala.
Um dos golpes identificados desviou sozinho R$ 541 milhões da BMP Instituição de Pagamento, uma das companhias que utilizavam os serviços da C&M Software. Esse valor corresponde a quase metade do total desviado identificado até agora.
Para evitar ser descoberto, o funcionário preso relatou que seus celulares eram trocados a cada 15 dias por ordem dos criminosos. Essa prática visava dificultar o rastreamento de mensagens, chamadas e dados usados durante a fraude.


