A confiança dos consumidores brasileiros voltou a crescer em outubro, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira, 27 de outubro, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) teve alta de 1 ponto no mês, chegando a 88,5 pontos. Esse é o segundo aumento consecutivo do indicador, que reflete uma melhora na percepção das pessoas sobre a economia e sobre suas próprias condições financeiras.

O ICC é uma pesquisa feita todos os meses pela FGV com famílias de diferentes faixas de renda em todo o país. O objetivo é medir como as pessoas estão se sentindo em relação à economia: se acreditam que a situação financeira melhorou, piorou ou continua igual; e se esperam um futuro mais favorável ou mais difícil.
Esse índice mostra o grau de otimismo ou pessimismo do consumidor. Quando ele sobe, quer dizer que as pessoas estão mais confiantes, dispostas a gastar um pouco mais, fazer planos, comprar bens duráveis (como eletrodomésticos, carros ou móveis) e até fazer compras de longo prazo, acreditando que terão condições de pagar.
Quando cai, o movimento é o oposto: os consumidores ficam mais cautelosos, evitam novas dívidas e reduzem o consumo. Esse comportamento influencia diretamente o comércio, os serviços e, por consequência, o crescimento da economia como um todo.
Em outubro, tanto o Índice de Situação Atual (ISA), que mede como os brasileiros enxergam o momento presente, quanto o Índice de Expectativas (IE), que avalia o que esperam para os próximos meses, tiveram aumento de 1 ponto cada. O ISA chegou a 83 pontos, e o IE, a 92,8 pontos.
Um dos destaques foi o indicador que mede a percepção sobre a economia local no futuro, que subiu 2,3 pontos, para 106,9 pontos, o maior patamar desde outubro do ano passado.
O que explica essa melhora na confiança?
A leve recuperação do otimismo do consumidor pode ter relação com a inflação sob controle e melhoras no mercado de trabalho. Com preços mais estáveis e alguma recuperação da renda, as famílias tendem a se sentir um pouco mais seguras para gastar.
Outro ponto é que, apesar dos juros altos, parte dos brasileiros começa a se acostumar com o cenário atual e a ajustar o orçamento para voltar a consumir. A taxa básica de juros (Selic) está em 15%, e o Banco Central já sinalizou que pretende mantê-la nesse nível por um longo período, como forma de garantir que a inflação continue sob controle.
Mas, para a maioria das pessoas, essa taxa elevada ainda significa crédito caro. Financiamentos, empréstimos e compras parceladas ficam mais pesados, o que freia o consumo e desestimula investimentos. Mesmo assim, o crescimento do ICC mostra que, aos poucos, o pessimismo vem diminuindo.
Comércio continua pessimista e desacelera investimentos
Se os consumidores estão um pouco mais confiantes, o mesmo não pode ser dito sobre os empresários do comércio. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que a confiança dos comerciantes está no pior patamar desde a pandemia. Em outubro, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio ficou em 95,7 pontos, abaixo da linha de 100 que indica neutralidade, e registrou queda de 10,3% entre julho e outubro.
Segundo o levantamento, as intenções de investimento caíram 4,2% em relação a outubro do ano passado. A projeção de novas contratações também recuou 6,3% no mesmo período. Entre os setores mais afetados estão eletrodomésticos, móveis, material de construção e veículos, que dependem fortemente de crédito para vender e acabam sendo os primeiros a sentir os efeitos dos juros altos.
Outro problema é o endividamento das famílias, que chegou a 30,5% em setembro, o maior índice da série histórica, segundo a CNC. Quando muita gente está com contas em atraso, o comércio vende menos, e os empresários adiam planos de expansão.


