Arrecadação federal também bate recorde
Segundo dados da Receita Federal, o governo federal arrecadou R$ 2,65 trilhões em 2024, sendo considerado, até então, o maior valor da história.
Em 2023, o valor foi de R$ 2,318 trilhões. De janeiro a novembro de 2024, a arrecadação acumulada chegou a R$ 2,391 trilhões, alta de 9,82% em termos reais, descontada a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Esses números refletem o bom desempenho da economia, a retomada de empregos formais e a melhora na arrecadação de tributos como IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
E se esse dinheiro fosse usado para acabar com a fome?
De tempos em tempos, surge a comparação de que o valor arrecadado em impostos seria suficiente para “acabar com a fome do mundo”.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o custo estimado para erradicar a fome global é de US$ 330 bilhões por ano — o equivalente a R$ 1,84 trilhão na cotação de outubro de 2025. Ou seja, o total arrecadado apenas no Brasil em 2025 (R$ 3 trilhões) seria suficiente, em teoria, para cobrir esse valor.
Na prática, porém, os recursos públicos têm destinação obrigatória e limites legais. Boa parte da arrecadação é comprometida com despesas fixas, como previdência, folha de pagamento e transferências constitucionais, o que reduz a margem de manobra para novos programas sociais.
Desafios e cobranças por transparência
Apesar do recorde na arrecadação, a sociedade ainda cobra melhor uso e transparência dos recursos.
Especialistas apontam que o sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos do mundo e penaliza mais as camadas de menor renda, já que impostos indiretos têm peso maior no consumo. Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), famílias de baixa renda chegam a comprometer até 53% da renda com tributos embutidos em produtos e serviços.
O debate sobre reforma tributária segue no Congresso Nacional, com promessas de simplificar tributos e reduzir desigualdades regionais e sociais, mas seus efeitos práticos ainda devem levar anos para chegar ao bolso do contribuinte.


