O mercado financeiro reduziu as projeções para a inflação no Brasil até 2028, segundo a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 20 de outubro, pelo Banco Central. O levantamento, que reúne estimativas de mais de cem economistas de instituições financeiras, mostra que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve encerrar 2025 em 4,70% e 2026 em 4,27%. Na semana anterior, as projeções eram de 4,72% e 4,28%, respectivamente.
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Para os anos seguintes, também houve revisão para baixo: a expectativa de inflação passou de 3,90% para 3,83% em 2027 e de 3,68% para 3,60% em 2028. Apesar das reduções, o índice segue acima do centro da meta oficial de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos — o que significa que o IPCA poderia variar entre 1,5% e 4,5% sem que o objetivo fosse considerado descumprido.
Na prática, a nova projeção indica um cenário de controle gradual da inflação, ainda que distante do objetivo traçado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O IPCA é o principal termômetro da inflação brasileira e serve de referência para reajustes de salários, aposentadorias e tarifas públicas.

O impacto nas famílias brasileiras
Embora a inflação esteja recuando, o custo de vida ainda pesa no orçamento das famílias, especialmente as de menor renda. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA acumulado em 12 meses até setembro foi de 4,37%, puxado por aumentos nos preços de alimentos e energia elétrica.
Em produtos básicos, o impacto é ainda maior: o quilo do arroz, por exemplo, está custando em média R$ 6,48, enquanto o litro do leite ultrapassa R$ 5,10 em algumas regiões, conforme levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e dados de mercado.
Esses números mostram que, mesmo com a desaceleração da inflação geral, os preços de itens essenciais continuam elevados, o que reduz o poder de compra da população. Especialistas apontam que o repasse de custos de energia e transporte ainda pressiona os alimentos e produtos industrializados.
PIB com leve melhora em 2025
A pesquisa Focus também revelou um leve otimismo em relação ao crescimento da economia. A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2025 subiu de 2,16% para 2,17%, enquanto para 2026 a expectativa permanece em 1,80%. Apesar do avanço modesto, a melhora nas estimativas indica que o mercado espera uma retomada mais consistente, impulsionada pelo consumo das famílias e investimentos públicos e privados.
De acordo com dados do IBGE, o PIB brasileiro cresceu 2,5% em 2024, resultado acima das previsões iniciais, que apontavam alta de 2,2%. O desempenho foi favorecido pelo setor de serviços, responsável por mais de 70% da atividade econômica do país, e pelo agronegócio, que teve safra recorde de soja e milho.
Com a nova projeção, o mercado espera que o PIB de 2025 alcance o equivalente a R$ 12,7 trilhões, considerando o valor atual do produto interno bruto brasileiro divulgado pelo IBGE.
Selic deve encerrar 2025 em 12,25%
As expectativas para a taxa básica de juros, a Selic, seguem inalteradas. O mercado estima que ela termine 2025 em 12,25%, após encerrar este ano em 15%. Segundo o Comitê de Política Monetária (Copom), a manutenção de juros elevados por mais tempo é necessária para garantir que a inflação continue convergindo para a meta.
Taxas mais altas encarecem o crédito, mas também ajudam a controlar o consumo e reduzir a pressão sobre os preços. Isso significa que, embora os empréstimos e financiamentos continuem pesando no bolso do consumidor — o juro médio do cartão de crédito rotativo, por exemplo, está em 431% ao ano, segundo o Banco Central —, a tendência é de uma política monetária mais estável a partir de 2026.
Expectativas para os próximos anos
Os analistas mantêm a avaliação de que o processo de desinflação deve continuar de forma lenta, acompanhando a redução dos juros e a retomada da atividade econômica. O consenso é que a inflação só deve convergir para o centro da meta a partir de 2029, com um ambiente macroeconômico mais equilibrado e políticas fiscais mais consistentes.
Ainda assim, as incertezas externas, como a desaceleração da economia chinesa e as flutuações nas commodities, podem afetar o ritmo de recuperação. A China, principal parceiro comercial do Brasil, vem registrando crescimento mais fraco, o que impacta diretamente as exportações de soja, minério e petróleo.
Enquanto isso, no cenário doméstico, o governo segue com desafios para conter gastos e equilibrar as contas públicas, o que pode influenciar as próximas decisões do Banco Central sobre juros e inflação.


