O estado do Rio de Janeiro perdeu R$ 325 milhões em 2024 apenas com roubos de carga, de acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Foram 3.438 caminhões roubados ao longo do ano, o equivalente a nove ocorrências por dia. Além das perdas diretas, os custos indiretos com segurança, seguros e logística elevam ainda mais o impacto financeiro sobre o setor produtivo.
De acordo com a Firjan, as perdas diretas — o valor das cargas subtraídas — representam apenas 16% do prejuízo total. Já os custos indiretos, como o aumento do valor dos seguros, contratação de escoltas e a perda de produtividade, chegam a 84%. Isso significa que, para cada R$ 1 milhão roubado em mercadorias, as empresas desembolsam mais de R$ 5 milhões em medidas preventivas e corretivas.
O fenômeno afeta a economia em diversas frentes: encarece o frete, pressiona os preços ao consumidor final e reduz a competitividade da indústria fluminense.
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Região metropolitana concentra quase todos os casos
O estudo mostra que 99% dos roubos de carga ocorreram na região metropolitana do Rio de Janeiro, com forte incidência em vias de grande circulação e horários de pico. Segundo a pesquisa, os crimes acontecem principalmente em dias úteis, entre 9h e 12h, quando há maior movimento de caminhões de entrega.
Apenas oito Centros Integrados de Segurança Pública (CISP) responderam por metade das ocorrências de todo o estado. Campos Elíseos, na Baixada Fluminense, liderou o ranking, concentrando 10% dos casos — uma média de um caminhão roubado por dia apenas na região.
Outras áreas com índices elevados são Duque de Caxias, Pavuna, Bonsucesso, Vicente de Carvalho, São João de Meriti e Belford Roxo, todas situadas em regiões com presença de rotas de escoamento logístico e proximidade de comunidades dominadas por facções criminosas.
2025 mantém tendência de alta nos roubos
Os números parciais de 2025, obtidos pela CNN junto à Firjan, mostram 2.168 registros de janeiro a setembro, o que representa um aumento de 1% em comparação ao mesmo período de 2024. Sete unidades do CISP concentram mais da metade dos casos no ano:
- Duque de Caxias (290 ocorrências)
- Campos Elíseos (216)
- São João de Meriti (168)
- Pavuna (125)
- Bonsucesso (115)
- Vicente de Carvalho (90)
- Belford Roxo (82)
A reincidência nas mesmas regiões indica que os grupos criminosos atuam de forma estruturada, aproveitando falhas na vigilância e dificuldades logísticas das transportadoras.
Custo dos crimes chega ao consumidor
Os roubos de carga afetam diretamente o bolso dos consumidores. O valor perdido com mercadorias e os custos de prevenção são repassados para os preços finais dos produtos, que ficam mais caros nas prateleiras. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra que o aumento de custos logísticos pode representar até 4% do preço final de itens alimentícios e farmacêuticos.
No caso do Rio de Janeiro, isso significa que o consumidor pode pagar de R$ 0,10 a R$ 0,20 a mais em produtos básicos, como arroz, leite e medicamentos, por conta dos impactos da criminalidade sobre o transporte.
Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Brasil teve 11.600 casos de roubo de carga em 2024, sendo 30% apenas no estado do Rio de Janeiro. O prejuízo nacional ultrapassou R$ 1,2 bilhão, com destaque para o roubo de alimentos, bebidas e eletrônicos, que representam 52% das cargas visadas.
Indústria e governo buscam soluções
A Firjan e entidades do setor logístico defendem integração entre as polícias Civil e Militar, uso de monitoramento eletrônico nas rodovias e investimentos em inteligência para combater o roubo de cargas. O governo estadual anunciou a ampliação de operações conjuntas com a Polícia Rodoviária Federal em áreas críticas, como a Rodovia Washington Luiz (BR-040) e a Avenida Brasil.
Empresas privadas também têm adotado tecnologias de rastreamento em tempo real e sistemas de bloqueio remoto de veículos, além de parcerias com autoridades para compartilhamento de dados.
Apesar das iniciativas, o setor ainda aguarda maior segurança nas rotas logísticas e redução dos custos operacionais, especialmente em um cenário de lenta recuperação econômica e inflação acumulada de 4,3% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE).