A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) encerrou a sexta-feira, 7 de novembro, em alta, marcando o décimo recorde consecutivo e superando pela primeira vez a marca dos 154 mil pontos. O principal índice da bolsa, o Ibovespa, subiu 0,47%, fechando o dia aos 154.063,53 pontos.
O resultado reflete o otimismo do mercado após uma série de balanços positivos de grandes empresas, especialmente da Petrobras, que apresentou lucros acima do esperado no terceiro trimestre de 2025.
No mesmo dia, o dólar comercial caiu 0,27%, sendo vendido a R$ 5,33, acumulando uma desvalorização semanal de 0,83%, conforme o Banco Central do Brasil.
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Petrobras e Marfrig puxam alta na Bolsa
Entre as ações que mais contribuíram para o desempenho da Bolsa, os papéis da Petrobras tiveram destaque. As ações ordinárias da estatal subiram 4,83%, enquanto as preferenciais avançaram 3,77%, impulsionadas pelos bons resultados financeiros divulgados na véspera.
Outra empresa que teve forte valorização foi a Marfrig, que registrou alta de 5,86% no dia. O desempenho foi impulsionado pela notícia de que o governo da China retirou o embargo à compra de frango brasileiro, uma medida confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com efeito imediato.
A reabertura do mercado chinês favorece não apenas as grandes exportadoras, mas também o setor agropecuário brasileiro como um todo, fortalecendo a geração de empregos e as exportações.
Cenário internacional influencia o mercado
O movimento positivo na Bolsa brasileira ocorre mesmo diante de um cenário global de incertezas. A China, maior parceiro comercial do Brasil, divulgou uma queda de 1,1% nas exportações em outubro, revertendo o aumento de 8,3% registrado em setembro, de acordo com dados da Reuters.
Apesar da desaceleração, o país asiático segue sendo um dos principais destinos das commodities brasileiras — especialmente soja, minério de ferro e carne bovina.
Nos Estados Unidos, investidores acompanham os resultados das grandes empresas de tecnologia e as expectativas em torno da política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Uma eventual redução nos juros americanos poderia beneficiar países emergentes como o Brasil, atraindo mais investimentos estrangeiros para a B3.
Inflação controlada e juros estáveis fortalecem cenário local
No Brasil, o ambiente econômico tem mostrado sinais de estabilidade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a variação dos preços na “porta da fábrica”, registrou queda de 0,25% em setembro, marcando a oitava deflação seguida no setor industrial.
No acumulado de 2025, o IPP tem retração de 3,87%, reflexo da desaceleração dos custos de produção e da redução de preços de insumos industriais.
A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 15% ao ano, segundo o Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar do nível elevado, o mercado financeiro já projeta cortes graduais para 2026, o que pode estimular o consumo e o crédito no país.
Especialistas projetam Ibovespa a 160 mil pontos
Para Marco Ribeiro Noernberg, estrategista de renda variável e sócio da Manchester Investimentos, a tendência positiva da Bolsa deve continuar nas próximas semanas.
Segundo ele, se os balanços das empresas seguirem sólidos e houver fluxo constante de capital estrangeiro, o Ibovespa pode ultrapassar os 160 mil pontos até o fim do ano.
O especialista lembrou a CNN que, no fim de 2024, o índice girava em torno de 120 mil pontos, e a expectativa do mercado era atingir 150 mil apenas no final de 2025, resultado que acabou sendo superado dois meses antes do previsto.
Impacto no bolso e na economia real
O bom desempenho da Bolsa tem reflexos diretos na economia. Com o mercado aquecido, empresas listadas na B3 conseguem captar mais recursos, o que estimula investimentos, gera empregos e amplia a confiança de consumidores e investidores.
Para quem tem fundos de investimento ou previdência privada atrelada à renda variável, o momento também é favorável, pois o crescimento do Ibovespa tende a valorizar as aplicações.
Por outro lado, especialistas alertam que o cenário ainda exige cautela, já que fatores externos — como tensões geopolíticas e flutuações cambiais — podem impactar o ritmo de crescimento.


