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Exportações brasileiras batem recorde histórico em outubro, mesmo com tarifaço dos EUA

O Brasil registrou um desempenho histórico no comércio exterior em outubro. Mesmo com as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras cresceram 9,1% em comparação com o mesmo período do ano passado.

O número chamou atenção porque alcançou o maior volume já registrado para um mês de outubro desde o início da série histórica, em 1989. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), órgão responsável por acompanhar vendas e compras internacionais do país.

Exportações no Brasil batem recorde em outubro
No total, as exportações chegaram a 31,97 bilhões de dólares (cerca de R$ 182 bilhões) enquanto as importações somaram 25,01 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 143 bilhões) | Foto: Reprodução / Canva

Nesse mês, o saldo positivo foi de 6,96 bilhões de dólares (o equivalente a R$ 40 bilhões). Esse desempenho mostra que, mesmo em um cenário de barreiras e disputas comerciais, o Brasil manteve sua força no comércio exterior.

Queda forte nas vendas para os Estados Unidos

A única região que registrou queda significativa nas compras de produtos brasileiros foi a América do Norte. O motivo principal foi a redução de 37,9% nas vendas para os Estados Unidos. Esse recuo está ligado ao tarifaço, nome dado ao aumento de impostos aplicado pelo governo norte-americano sobre produtos importados do Brasil. Quando o imposto sobe, o item brasileiro chega mais caro ao consumidor americano e perde competitividade.

O setor de petróleo bruto foi o mais prejudicado e teve uma queda de 82,6% nas vendas para os Estados Unidos, o que representou uma perda próxima de 500 milhões de dólares, ou 2,8 bilhões de reais. A celulose, matéria-prima usada na produção de papel, também teve retração de 43,9%.

Óleos combustíveis recuaram 37,7% e aeronaves e peças caíram 19,8%. A queda do petróleo chamou atenção porque esse produto não foi incluído nas tarifas, o que sugere que o recuo tem ligação não só com o tarifaço, mas também com uma possível redução da demanda americana.

Essa redução vem acontecendo de forma constante nos últimos meses. Em agosto, a queda foi de 16,5%; em setembro, 20,3%; e em outubro, 37,9%. Os dados indicam que o impacto vem aumentando e deve seguir sendo monitorado pelo governo e pelos setores exportadores.

Ásia puxa alta e compensa perdas

A queda nas vendas para os Estados Unidos foi compensada por um forte avanço em outras regiões, principalmente na Ásia. O continente aumentou suas compras em 21,2%, com destaque para China, Índia, Cingapura e Filipinas. A China, principal parceira comercial do Brasil, ampliou em 33,4% as importações de produtos brasileiros, enquanto a Índia registrou alta de 55,5%.

Entre os itens com maior procura no continente asiático estão soja, petróleo, minério de ferro e carne bovina. As exportações de soja cresceram 64,5%, mostrando a força do agronegócio. O petróleo bruto avançou 43%, o minério de ferro subiu 31,7% e a carne bovina apresentou alta de 44,7%. Esses produtos ajudam a movimentar setores importantes da economia, com impacto direto na geração de empregos, transporte, logística e arrecadação de impostos.

A Europa também contribuiu para o bom resultado geral de outubro. O continente registrou aumento de 7,6% nas compras de produtos brasileiros. Um dos destaques foi a alta impressionante nas vendas de minérios de cobre, que avançaram mais de 800%. Carnes e celulose também cresceram no mercado europeu. Já a América do Sul apresentou alta de 12,6%, puxada principalmente pelas exportações de petróleo.

Diversificação ajuda a manter resultados positivos

O desempenho de outubro mostrou que ampliar mercados e depender menos de um único comprador deixou o Brasil menos vulnerável. Sem essa diversificação, o tarifaço americano teria provocado um resultado negativo. A ampliação das vendas para a Ásia e a Europa, somada ao avanço dentro da América do Sul, permitiu que o país compensasse a queda nas vendas para os Estados Unidos e alcançasse um recorde histórico.

Além de revelar força do setor externo, o superávit comercial indica que o comércio internacional segue sendo uma das bases da economia brasileira. Exportações ajudam a manter indústrias, geram renda para produtores rurais, movimentam portos, estradas, ferrovias e criam oportunidades de trabalho. Em um momento de incertezas globais, o resultado de outubro mostra resiliência e capacidade de adaptação das empresas brasileiras.

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