O impacto do custo de vida no orçamento das famílias brasileiras tem alterado de forma significativa o comportamento de compra em 2025. Um estudo global divulgado pela NielsenIQ, o “Consumer Outlook: Guide to 2026”, revelou que 44% dos consumidores no país estão mais cautelosos na hora de fazer compras domésticas. O levantamento foi realizado entre 10 de junho e 8 de julho de 2025, ouvindo 19 mil consumidores em 27 países, incluindo o Brasil.
A pesquisa mostra que os brasileiros seguem observando com atenção os preços, especialmente em um momento em que despesas básicas pressionam o orçamento familiar.
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Maioria percebe piora nas compras domésticas em comparação a 2024
Entre os resultados apresentados, 34% dos entrevistados afirmaram que a situação das compras domésticas está pior em relação a 2024. O principal motivo, apontado por 78% desse grupo, é o aumento do custo de vida. Em um cenário de inflação elevada e renda comprimida, despesas essenciais como alimentação, higiene e limpeza têm peso ainda maior no bolso do consumidor.
O estudo também revela que a preocupação para os próximos seis meses permanece centrada no preço dos alimentos: 20% dos participantes citaram esse item como o ponto mais sensível do orçamento. Os dados reforçam a importância do controle financeiro em um período marcado por instabilidade nos preços.
Apesar do quadro mais apertado, o levantamento aponta um dado relevante sobre percepção de futuro. Quando questionados se acreditavam que estariam melhor no início de 2026, 65% responderam que sim. A expectativa positiva aparece em um contexto de recuperação gradual em alguns setores da economia, mesmo com pressões persistentes sobre os gastos das famílias.
Consumidores se tornam mais seletivos e priorizam marcas confiáveis
O estudo da NielsenIQ mostra também que a relação entre consumidores e marcas passa por mudanças. Segundo o levantamento, 76% dos entrevistados consideram muito importante confiar na marca que estão adquirindo. Outros 24% classificam a confiança como importante e apenas 1% afirma não se importar com o aspecto.
A construção dessa confiança se apoia principalmente na percepção de qualidade e consistência dos produtos. Para 66% dos respondentes, esses fatores são decisivos para determinar fidelidade e escolha de compra. Em um momento de maior cautela, itens com desempenho previsível e que entregam o valor esperado ganham prioridade, reduzindo o espaço para produtos desconhecidos ou que exigem risco financeiro maior.
A seletividade reflete ainda a necessidade de compras mais planejadas. A prática de comparar preços, pesquisar avaliações e observar variações ao longo do mês se intensificou entre consumidores que buscam evitar desperdícios. Nesse cenário, marcas que oferecem estabilidade no preço e comunicação transparente tendem a se destacar.
Impacto do custo de vida nas decisões das famílias
Os números evidenciam que o custo de vida tem peso central na mudança de comportamento observada em 2025. A percepção de piora nas compras domésticas indica que parte da população enfrenta maior dificuldade para manter o mesmo padrão de consumo, mesmo em categorias básicas. O aumento no preço dos alimentos, apontado como principal preocupação, reforça a importância das despesas essenciais no orçamento das famílias.
Para quem precisa organizar as contas, a cautela mencionada pela pesquisa se traduz em ações como substituição de marcas, priorização de itens de necessidade imediata e redução de compras por impulso. O movimento tem impacto direto sobre o volume de vendas do varejo, especialmente em segmentos que dependem de maior disposição financeira para a compra.
Confiança e planejamento marcam tendência para 2026
A expectativa de melhora para 2026, citada por 65% dos entrevistados, aparece como um indicador relevante de comportamento futuro. Ainda que o cenário atual seja de restrição, parte dos consumidores acredita em recomposição gradual do poder de compra. Sinais de estabilidade econômica, mesmo que moderados, contribuem para essa percepção.
O estudo global reforça ainda que a confiança nas marcas deve seguir como elemento central nas decisões de consumo nos próximos meses. Diante de um mercado cada vez mais competitivo e sensível ao preço, empresas que mantêm consistência no produto e no relacionamento com o cliente ganham vantagem competitiva.
Com a combinação de cautela, seletividade e expectativa moderada de melhora, o comportamento de compra observado em 2025 desenha um cenário de consumo mais racional.


