O cartão de crédito continua sendo uma das principais formas de pagamento no Brasil. De acordo com o Banco Central, divulgado no Relatório de Economia Bancária de 2024, o cartão se manteve como o instrumento com maior volume de transações no país.
O uso comum desse meio de pagamento é explicado pela facilidade de parcelar compras e pela possibilidade de concentrar contas em uma única fatura. No entanto, o crescimento do endividamento ligado ao cartão indica que esse hábito pode comprometer a saúde financeira de muitas famílias.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio, mostra que o cartão de crédito segue há mais de dez anos como o principal tipo de dívida entre os brasileiros. Em outubro de 2025, o relatório indicou que 86,2 por cento das famílias endividadas tinham dívidas relacionadas ao cartão. Os dados mostram que o meio de pagamento não é apenas comum, mas representa a maior fonte de pressão no orçamento.
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Como o cartão incentiva o consumo acima da renda
O cartão de crédito funciona como um financiador automático. Mesmo sem solicitar empréstimo, o consumidor acessa uma linha de crédito que permite comprar agora e pagar depois. Essa dinâmica favorece a sensação de que há mais dinheiro disponível do que realmente existe.
A Fundação Getulio Vargas (FGV), em estudo publicado em 2023 sobre comportamento de consumo, aponta que instrumentos de pagamento que afastam o consumidor do desembolso imediato tendem a aumentar o volume de compras por impulso.
Outro fator que contribui para esse comportamento é a facilidade de parcelamentos sem juros. Ainda que não exista custo adicional direto, o valor acumulado das parcelas ocupa parte da renda dos meses seguintes, diminuindo a flexibilidade para lidar com contas inesperadas. Isso se torna ainda mais desafiador em um cenário em que o poder de compra das famílias segue pressionado pela inflação dos serviços essenciais, como energia elétrica e alimentação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os juros do crédito rotativo e o impacto no endividamento
Entre os desafios relacionados ao cartão de crédito, os juros do rotativo se destacam. O Banco Central informou, em levantamento divulgado em setembro de 2025, que a taxa média do crédito rotativo ficou acima de 430 por cento ao ano. Em valores práticos, isso significa que uma dívida de 500 reais que não é paga integralmente na fatura pode dobrar em poucos meses.
O rotativo é acionado automaticamente quando o consumidor paga apenas parte da fatura. O uso dessa modalidade é comum entre famílias que tentam evitar o atraso, mas as taxas elevadas tornam o saldo mais difícil de quitar. Para quem busca melhorar a saúde financeira, evitar o rotativo e reduzir o uso do cartão se torna uma estratégia central.
Como diminuir o uso do cartão melhora a vida financeira
Reduzir o uso do cartão de crédito ajuda as famílias a recuperarem o controle do orçamento. Ao optar por pagamentos à vista, o consumidor visualiza imediatamente o impacto da compra e tende a fazer escolhas mais conscientes. Instituições financeiras como Banco Central e Serasa recomendam, em seus materiais de educação financeira, priorizar pagamentos sem crédito sempre que possível para evitar endividamento.
Outro benefício é a clareza no planejamento mensal. Sem parcelas acumuladas, o consumidor sabe exatamente quanto do salário será destinado aos gastos essenciais e quanto resta para outros objetivos. Isso diminui o risco de comprometer mais do que se pode pagar e facilita a construção de uma reserva financeira.
Além disso, reduzir a dependência do cartão reduz a exposição a juros e tarifas. Mesmo que o consumidor não caia no rotativo, atrasos eventuais geram multas e encargos contratuais, que podem representar valores significativos no fim do mês. Ao diminuir o uso, esses custos adicionais deixam de fazer parte da rotina.
Substituições possíveis para quem deseja controlar gastos
Especialistas em educação financeira recomendam algumas alternativas simples para reorganizar o uso do cartão. Uma delas é adotar pagamentos no débito, que descontam imediatamente o valor da conta. Outra é estabelecer limites semanais de gastos em dinheiro ou transferências, estratégia que ajuda a visualizar melhor o impacto de cada despesa.
Ferramentas de controle financeiro também podem ser úteis. Empresas como Serasa e Banco Central disponibilizam aplicativos gratuitos que permitem acompanhar gastos, organizar contas e analisar hábitos de consumo. Mesmo sem recorrer a produtos pagos, esses recursos podem ajudar famílias a identificar padrões de despesas e ajustar o orçamento de forma gradual.


