Construção civil tem perspectiva melhor
Entre os setores analisados, a construção civil aparece com uma projeção mais positiva. A expectativa é de crescimento de 2,5% em 2026. Segundo a CNI, o desempenho está relacionado a mudanças no crédito imobiliário, ao aumento do teto do Sistema Financeiro da Habitação e à ampliação de financiamentos para programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, (MCMV) voltado principalmente às famílias de baixa renda.
A ampliação do crédito para reformas de moradias populares também contribui para a expectativa de melhora no setor, mesmo com os juros ainda elevados.
Agropecuária deve parar de crescer
Após um desempenho forte em 2025, quando a agropecuária deve crescer 9,6% e ajudar a sustentar o PIB, o setor tende a ter crescimento zero em 2026. A CNI aponta que a previsão inicial é de uma safra bem menos expressiva no próximo ano, o que reduz o impacto positivo do campo sobre a economia como um todo.
Exportações e comércio exterior
No comércio exterior, a CNI projeta aumento de 1,6% nas exportações brasileiras em 2026. Entre os fatores que influenciam esse resultado estão uma safra mais modesta, menor demanda global por petróleo e impactos de tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Em 2025, as exportações devem alcançar US$ 350 bilhões. Considerando um câmbio médio de R$ 5,00 por dólar, valor próximo ao utilizado em projeções oficiais do Banco Central do Brasil, isso equivale à cerca de R$ 1,75 trilhão. O crescimento previsto é de 3% em relação a 2024.
As importações devem crescer 7,1% em 2025, chegando a US$ 293,4 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 1,47 trilhão. Esse movimento é influenciado pela queda de preços internacionais, pela valorização do real e pelo aumento da renda das famílias.
Com isso, o saldo da balança comercial deve ficar em US$ 56,7 bilhões, cerca de R$ 283,5 bilhões, o que representa uma queda de 14% em relação ao ano anterior.
Cenário de cautela
Durante a divulgação do relatório, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o crescimento projetado de 1,8% em 2026 será o menor em seis anos. Segundo ele, os juros elevados continuam sendo o principal fator de desaceleração da economia.
As estimativas indicam um cenário de crescimento moderado, sustentado principalmente pelo setor de serviços e por nichos específicos da indústria, enquanto o consumo interno e os investimentos seguem limitados pelo custo do crédito e pelo ritmo mais fraco do mercado de trabalho.


