O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), virou para forte queda nesta sexta-feira, 5 de dezembro, após uma semana em que bateu sucessivos recordes. O índice cruzou pela primeira vez as marcas de 162 mil, 163 mil, 164 mil e 165 mil pontos, mas perdeu força no fim da manhã e passou a recuar com intensidade.
Por volta das 15h46, o Ibovespa caía 3,31%, negociado a 159.016,72 pontos. O dólar, que vinha subindo ao longo do dia, avançava 2,56%, vendido a R$ 5,455. A moeda norte-americana teve máxima próxima desse valor e mínima de R$ 5,30.

Na quinta-feira, 4 de dezembro, o Ibovespa já havia fechado em 164,4 mil pontos, seu terceiro recorde consecutivo de fechamento.
Mercado reage ao avanço eleitoral de Flávio Bolsonaro e ao cenário político de 2026
A forte queda desta sexta-feira está ligada ao aumento das incertezas sobre a eleição presidencial de 2026. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio Bolsonaro comunicou que será o candidato escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a disputa.
A notícia foi interpretada como um movimento que pode dividir a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que gerou reação imediata do mercado. Momentos de incerteza política costumam provocar ajustes rápidos na bolsa de valores e no câmbio, principalmente após uma sequência de altas fortes como a observada nos últimos dias.
Com isso, investidores passaram a realizar lucros acumulados durante a semana, o que contribuiu para a queda acentuada do Ibovespa.
Dólar sobe com inflação nos Estados Unidos e expectativa sobre juros
O dólar também operou em alta ao longo do dia. Às 15h40, a moeda subia 2,69%, cotada a R$ 5,455. Na máxima até o momento, bateu R$ 5,454, e na mínima ficou em R$ 5,30. Na véspera, o dólar havia fechado praticamente estável, recuando 0,04%, a R$ 5,31.
O movimento desta sexta-feira ocorre em um dia de cautela global. Nos Estados Unidos, investidores aguardam os dados do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), indicador preferido do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, para acompanhar a inflação.
A divulgação do PCE é importante porque o Fed usa esse indicador para decidir a taxa de juros dos Estados Unidos. Atualmente, os juros estão no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano, após um corte de 0,25 ponto percentual na última reunião.
Juros mais altos nos Estados Unidos costumam atrair investidores para a renda fixa norte-americana, reduzindo o fluxo de capital para países emergentes. Já juros menores podem favorecer moedas como o real.
Ibovespa devolve ganhos do dia após nova máxima e recua mais de 3%
Ao longo da manhã, o Ibovespa voltou a renovar recorde e marcou 165.035,97 pontos, maior valor intradia da sua história. Mas a combinação de incertezas eleitorais no Brasil e expectativa com indicadores dos Estados Unidos fez o índice perder força rapidamente.
Às 15h42, o Ibovespa recuava 3,34%, operando a 158,9 mil pontos. Mesmo assim, os dados acumulados mostram que a bolsa brasileira ainda tem desempenho positivo:
- +3,39% no mês;
- +36,73% no ano.
O movimento é considerado uma correção, fenômeno comum após altas fortes e contínuas.
Inflação e juros ajudam a explicar reação dos mercados
O foco dos investidores nesta semana está dividido entre dois pontos principais:
- O cenário político brasileiro, que ganhou força com o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL);
- A decisão de juros nos Estados Unidos, que influencia diretamente o comportamento do dólar e de mercados emergentes como o Brasil.
A taxa de juros é a principal base usada pelos bancos centrais para controlar a inflação. Juros mais altos deixam o crédito mais caro e estimulam a poupança, o que reduz o consumo e, com o tempo, desacelera a economia. Por outro lado, juros menores tendem a estimular investimentos e compras, mas podem pressionar a inflação.
Por isso, tanto o dólar quanto a bolsa estão muito sensíveis às informações divulgadas nesta semana.


