O endividamento no Brasil atingiu níveis recordes e acende um alerta para a economia. Dados recentes mostram que milhões de empresas e consumidores estão com contas atrasadas, enfrentando dificuldades para manter o orçamento em dia. As informações foram divulgadas pela Serasa Experian, pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Esse é o maior número desde o início da série histórica, em 2016. Juntas, essas companhias acumulam R$ 204,8 bilhões em dívidas não pagas.
Crédito caro e economia fraca explicam avanço das dívidas
o aumento da inadimplência está ligado à dificuldade de acesso ao crédito e à queda no ritmo da economia. Com juros altos, os bancos estão emprestando menos, o que dificulta a renegociação de dívidas. Ao mesmo tempo, muitas empresas vendem menos, faturam menos e ficam sem caixa para honrar compromissos.
Esse cenário afeta principalmente as micro, pequenas e médias empresas, que costumam ter menos reserva financeira e dependem mais de crédito para funcionar.
Dívida média das empresas passa de R$ 23 mil
Em outubro de 2025, cada empresa inadimplente tinha, em média, R$ 23.658,74 em dívidas. Além disso, acumulava 7,1 contas em atraso, com valor médio de R$ 3.329,50 por dívida. Esses dados mostram que o problema costuma ser a soma de vários débitos ao longo do tempo.
O setor de Serviços concentra a maioria das empresas endividadas, com 54,9% do total. Em seguida aparecem o Comércio, com 33%, e a Indústria, com 8%. Atividades como restaurantes, transporte, salões de beleza, escolas particulares e empresas de prestação de serviços são diretamente impactadas pela queda no consumo das famílias.
Quando se analisa o tipo de dívida, o maior volume de negativações está ligado ao próprio setor de Serviços (32,2%) e a Bancos e Cartões, que representam 19,3% do total.
Pequenas empresas concentram a maior parte das dívidas
Das 8,7 milhões de empresas inadimplentes, cerca de 8,2 milhões são micro, pequenas e médias empresas. Juntas, elas acumulam 56,8 milhões de dívidas negativadas, que somam R$ 184,6 bilhões. Empresas maiores, segundo especialistas, têm mais estrutura para enfrentar períodos difíceis, mesmo com redução no faturamento.
A região Sudeste concentra o maior número de empresas com dívidas atrasadas, com mais de 4,6 milhões de CNPJs inadimplentes. O Sul aparece em seguida, com mais de 1,4 milhão, e o Nordeste, com mais de 1,3 milhão. As regiões Centro-Oeste e Norte registraram os menores volumes, mas também apresentam números elevados.
Consumidores também enfrentam recorde de inadimplência
O problema não se limita às empresas. Dados do Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas, divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), mostram que o Brasil chegou a 73 milhões de consumidores inadimplentes em novembro.
Esse número representa um aumento de 8,9% em relação ao mesmo mês de 2024. Na comparação com outubro, o crescimento foi de 1,29%. Hoje, 43,7% da população adulta brasileira tem alguma dívida em atraso.
Dívidas antigas e valores baixos predominam
O crescimento da inadimplência foi puxado principalmente por dívidas com quatro a cinco anos de atraso, que aumentaram 30,12% em um ano. Em média, cada consumidor inadimplente devia R$ 4.781,98, somando todas as dívidas, e tinha débitos com 2,23 empresas credoras.
Apesar do valor médio, muitas dívidas são pequenas. Cerca de 31% dos consumidores tinham débitos de até R$ 500, percentual que sobe para quase 44% quando se consideram dívidas de até R$ 1.000.
A faixa etária mais afetada é a de 30 a 39 anos, que representa 23,4% dos inadimplentes. Em seguida aparecem pessoas de 40 a 49 anos e de 50 a 64 anos. A divisão por sexo é equilibrada, com 51,2% de mulheres e 48,8% de homens.
Impacto na economia
O aumento das dívidas de empresas e consumidores reduz o consumo, dificulta o acesso ao crédito e freia a atividade econômica. Especialistas apontam que o cenário reforça a importância da renegociação de dívidas e do planejamento financeiro.
Enquanto isso, os números mostram que o desafio de sair do vermelho segue grande para empresas e famílias brasileiras em um ambiente de juros altos e renda apertada.


