Juros elevados seguem como obstáculo
Os economistas da FecomercioSP apontam os juros como um dos principais fatores que inibem o consumo, principalmente no caso dos bens duráveis, como eletrodomésticos, veículos e itens de maior valor agregado. A taxa Selic atualmente está em 15 por cento ao ano, o maior nível dos últimos 20 anos.
Com esse patamar, o Brasil ocupa a segunda posição entre as maiores taxas de juros reais do mundo, com 9,74 por cento. O cálculo considera a taxa básica descontada a inflação projetada. Segundo levantamento divulgado pela FecomercioSP, o país fica atrás apenas da Turquia, onde os juros reais chegam a 17,8 por cento.
O custo elevado do crédito impacta diretamente a capacidade de compra dos consumidores e reduz o apetite para financiamentos, especialmente no público de renda média e baixa. O cenário também afeta os pequenos negócios, que enfrentam maior dificuldade para acessar linhas de crédito e manter o fluxo de caixa em períodos de menor movimentação no comércio.
Incertezas fiscais elevam volatilidade
Outro ponto destacado pela FecomercioSP é o ambiente de incerteza fiscal. Segundo a entidade, a ausência de um plano robusto de corte de gastos públicos e as discussões frequentes entre membros do governo e aliados sobre a necessidade de redução da taxa de juros aumentam a volatilidade dos mercados. A instabilidade afeta o câmbio e mantém a expectativa de inflação mais alta, o que dificulta a previsão sobre o início de um ciclo de queda da Selic.
Para a entidade, esses elementos compõem um conjunto de desafios que devem influenciar o desempenho do varejo em 2025. A combinação de crédito caro, inflação ainda pressionada e renda em recuperação gradual cria um ambiente em que o consumo cresce, mas em ritmo mais moderado do que o registrado nos últimos anos.