As despesas concentradas no fim do ano, como Natal, viagens e uso ampliado do cartão de crédito, costumam pressionar o orçamento das famílias brasileiras nos primeiros meses do ano seguinte. Dados do Banco Central do Brasil (BCB) mostram que o crédito às pessoas físicas segue em expansão, o que aumenta o risco de endividamento quando não há planejamento para o pagamento das parcelas.
Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que mais de 70% das famílias brasileiras encerraram 2025 com algum tipo de dívida, principalmente no cartão de crédito e no crediário. Em muitos casos, o valor mensal comprometido supera 30% da renda familiar, limite considerado crítico por especialistas em finanças pessoais.
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Passo 1: mapear todas as dívidas existentes
O primeiro passo para renegociar dívidas é identificar exatamente quanto se deve. Isso inclui cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais, financiamentos e contas em atraso. Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, grande parte dos consumidores inadimplentes não sabe o valor total da dívida, o que dificulta qualquer negociação.
Ao listar os débitos, é importante anotar o valor original, os juros aplicados e o saldo atual em reais. Um cartão de crédito com fatura atrasada de dois mil reais, por exemplo, pode ultrapassar três mil reais em poucos meses devido aos juros, que estão entre os mais altos do mercado, conforme dados do Banco Central.
Passo 2: priorizar dívidas com juros mais altos
Nem todas as dívidas têm o mesmo peso no orçamento. O cheque especial e o rotativo do cartão de crédito concentram as maiores taxas. Informações do Banco Central do Brasil indicam que os juros do cartão rotativo podem ultrapassar 400% ao ano, o que faz uma dívida de mil reais se multiplicar rapidamente.
Ao priorizar a renegociação dessas modalidades, o consumidor reduz o crescimento do saldo devedor. Dívidas com juros menores, como financiamentos habitacionais, costumam ter impacto menos imediato no orçamento mensal.
Passo 3: procurar canais oficiais de negociação
Bancos, financeiras e varejistas costumam oferecer canais específicos para renegociação, especialmente no início do ano. Plataformas como o site da Serasa reúnem ofertas com descontos que podem chegar a 90% sobre juros e multas, dependendo do perfil da dívida e do tempo de atraso.
Segundo a Serasa, consumidores que aderem a acordos formais conseguem reduzir parcelas mensais para valores próximos de cem ou duzentos reais, tornando o pagamento mais compatível com rendas de até dois salários mínimos, atualmente equivalentes a cerca de dois mil e oitocentos reais.
Passo 4: avaliar troca de dívida cara por crédito mais barato
Outra estratégia utilizada é substituir dívidas caras por modalidades com juros menores. Empréstimos consignados, quando disponíveis, apresentam taxas inferiores às do cartão de crédito. Dados do Banco Central do Brasil mostram que o consignado para trabalhadores formais e aposentados tem juros médios bem abaixo das linhas emergenciais.
Ao contratar um empréstimo para quitar uma dívida de cinco mil reais no cartão, por exemplo, o consumidor passa a pagar parcelas fixas e previsíveis, evitando o efeito dos juros acumulados. Essa operação deve ser analisada com cuidado para não comprometer excessivamente a renda mensal.
Passo 5: reorganizar o orçamento para evitar nova inadimplência
A renegociação só se sustenta se houver ajuste no orçamento. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que despesas fixas como alimentação, transporte e moradia consomem a maior parte da renda das famílias das classes C e D.
Após renegociar, é fundamental adequar gastos ao novo patamar de renda disponível. Reduzir despesas variáveis, como lazer e compras parceladas, ajuda a manter os acordos em dia. Segundo a CNC, consumidores que voltam a atrasar parcelas após renegociação têm maior dificuldade para obter novos descontos no futuro.
Impacto das dívidas no acesso ao crédito
Manter dívidas em atraso também afeta o acesso a crédito ao longo do ano. Dados do SPC indicam que consumidores negativados enfrentam taxas mais altas e limites reduzidos quando buscam novos financiamentos. Uma restrição de crédito pode impedir, por exemplo, a compra parcelada de eletrodomésticos ou a contratação de serviços básicos.
A regularização das pendências melhora o histórico financeiro e amplia as possibilidades de negociação ao longo de 2026, especialmente em um cenário de juros ainda elevados no país.
Renegociação como prática recorrente
A renegociação de dívidas deixou de ser um evento pontual e passou a integrar a rotina financeira de milhões de brasileiros. Programas promovidos por bancos, varejistas e órgãos de proteção ao crédito concentram grande volume de acordos nos primeiros meses do ano, refletindo a necessidade de reorganização após o fim do período de festas.


