Passo 4: avaliar troca de dívida cara por crédito mais barato
Outra estratégia utilizada é substituir dívidas caras por modalidades com juros menores. Empréstimos consignados, quando disponíveis, apresentam taxas inferiores às do cartão de crédito. Dados do Banco Central do Brasil mostram que o consignado para trabalhadores formais e aposentados tem juros médios bem abaixo das linhas emergenciais.
Ao contratar um empréstimo para quitar uma dívida de cinco mil reais no cartão, por exemplo, o consumidor passa a pagar parcelas fixas e previsíveis, evitando o efeito dos juros acumulados. Essa operação deve ser analisada com cuidado para não comprometer excessivamente a renda mensal.
Passo 5: reorganizar o orçamento para evitar nova inadimplência
A renegociação só se sustenta se houver ajuste no orçamento. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que despesas fixas como alimentação, transporte e moradia consomem a maior parte da renda das famílias das classes C e D.
Após renegociar, é fundamental adequar gastos ao novo patamar de renda disponível. Reduzir despesas variáveis, como lazer e compras parceladas, ajuda a manter os acordos em dia. Segundo a CNC, consumidores que voltam a atrasar parcelas após renegociação têm maior dificuldade para obter novos descontos no futuro.
Impacto das dívidas no acesso ao crédito
Manter dívidas em atraso também afeta o acesso a crédito ao longo do ano. Dados do SPC indicam que consumidores negativados enfrentam taxas mais altas e limites reduzidos quando buscam novos financiamentos. Uma restrição de crédito pode impedir, por exemplo, a compra parcelada de eletrodomésticos ou a contratação de serviços básicos.
A regularização das pendências melhora o histórico financeiro e amplia as possibilidades de negociação ao longo de 2026, especialmente em um cenário de juros ainda elevados no país.
Renegociação como prática recorrente
A renegociação de dívidas deixou de ser um evento pontual e passou a integrar a rotina financeira de milhões de brasileiros. Programas promovidos por bancos, varejistas e órgãos de proteção ao crédito concentram grande volume de acordos nos primeiros meses do ano, refletindo a necessidade de reorganização após o fim do período de festas.


