O endividamento das famílias brasileiras 2025 foi maior do que no ano anterior. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que 78,9% dos lares terminaram o ano com algum tipo de dívida, o maior patamar registrado desde o início da série recente da pesquisa.
Na prática, isso significa que mais pessoas recorreram ao crédito para manter o consumo e organizar despesas ao longo do último ano.

Apesar do avanço do endividamento, os dados indicam que o movimento ocorreu de forma gradual e acompanhou um cenário econômico que apresentou sinais mistos, com melhora em alguns indicadores e pressão persistente sobre o orçamento doméstico.
Cartão de crédito lidera as dívidas dos brasileiros
Entre os tipos de dívida mais comuns, o cartão de crédito segue como o principal meio utilizado pelas famílias. Ao final de 2025, 85,1% dos endividados tinham gastos parcelados ou valores em aberto no cartão. O percentual é semelhante ao registrado no ano anterior, o que reforça a dependência desse instrumento para compras do dia a dia.
Na sequência aparecem os carnês, presentes em 16,2% dos lares com dívidas, e as linhas de crédito pessoal, citadas por 12,1% das famílias. Em patamares menores, mas ainda relevantes, também entram financiamentos e outras modalidades de crédito.
Segundo a CNC, a concentração das dívidas no cartão de crédito reflete tanto a facilidade de acesso quanto a tentativa de diluir despesas mensais, especialmente em um ambiente de juros elevados.
Inadimplência também avança, mas de forma moderada
Além do crescimento do endividamento, a pesquisa mostra que a inadimplência também aumentou em 2025. Em dezembro, 29,4% das famílias tinham contas vencidas, um avanço de 0,1 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2024.
Embora o aumento seja pequeno, o dado indica que parte das famílias encontra dificuldades para manter os pagamentos em dia, principalmente diante do custo do crédito e do peso dos juros sobre parcelas acumuladas.
Ainda assim, a CNC avalia que o cenário não aponta para uma deterioração acelerada, mas sim para um ajuste lento, influenciado por fatores como renda, emprego e condições financeiras gerais.
Expectativa de alívio em 2026
Apesar dos números mais elevados no fim de 2025, a CNC projeta uma tendência de recuo do endividamento e da inadimplência no início de 2026. A avaliação é de que o primeiro trimestre do novo ano pode trazer algum alívio, caso as condições econômicas se tornem mais favoráveis.
A capacidade das famílias de quitar dívidas e evitar novos atrasos está diretamente ligada ao comportamento da taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Banco Central. Uma redução gradual da Selic pode aliviar o custo do crédito, diminuir o valor das parcelas e permitir que os consumidores reorganizem suas finanças sem recorrer a novas dívidas. A expectativa da CNC é de que esse movimento comece ainda no primeiro semestre de 2026.
O que os dados indicam para o orçamento das famílias?
Os números da pesquisa mostram que o endividamento segue elevado, mas não necessariamente fora de controle. A maioria das dívidas continua concentrada em instrumentos já conhecidos do consumidor, principalmente o cartão de crédito, usado como extensão da renda mensal.
Ao mesmo tempo, o crescimento mais lento da inadimplência sugere que muitas famílias ainda conseguem administrar seus compromissos, mesmo com orçamento pressionado. O desafio, segundo especialistas, está em equilibrar consumo, pagamento de dívidas antigas e cautela na contratação de novos créditos.
Com a possível redução dos juros ao longo de 2026, a tendência é de que esse equilíbrio fique menos difícil. Até lá, os dados reforçam a importância de planejamento financeiro e uso consciente do crédito, em um cenário que ainda exige atenção das famílias brasileiras.


