O mercado financeiro passou a esperar uma inflação um pouco menor em 2026, segundo dados do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 12 de janeiro, pelo Banco Central do Brasil. A nova estimativa indica que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 4,05%, levemente abaixo da projeção da semana passada, que era de 4,06%.
Apesar da diferença parecer pequena, esse tipo de ajuste é acompanhado de perto porque o IPCA é o indicador oficial da inflação no Brasil, usado para medir a variação média dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias, como alimentos, transporte, energia e saúde.
O Boletim Focus reúne projeções de economistas e analistas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia. Essas expectativas ajudam a orientar decisões do Banco Central, de empresas e até do próprio governo.

Inflação recente ficou dentro da meta
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação registrada em dezembro de 2025 foi de 0,33%, acima da taxa de 0,18% observada em novembro. Com isso, o IPCA de 2025 fechou em 4,26%, permanecendo dentro do limite da meta oficial.
A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e serve como referência para a política econômica. Para 2025, o centro da meta é 3%, com margem de tolerância que vai de 1,5% a 4,5%. Mesmo acima do centro, o resultado ficou dentro desse intervalo permitido.
Em dezembro, quase todos os grupos de preços pesquisados tiveram alta. O principal impacto veio dos transportes, com aumento de 0,74%, influenciado por combustíveis e passagens. Na sequência, apareceram saúde e cuidados pessoais, com alta de 0,52%. O único grupo em queda foi habitação, que recuou 0,33%.
O que o mercado espera para os próximos anos?
As projeções para a inflação seguem estáveis no médio prazo. Para 2027, a expectativa é de 3,80%, e para 2028, de 3,50%. Esses números indicam uma inflação mais próxima da meta nos próximos anos, o que tende a reduzir a pressão sobre os juros.
O Boletim Focus também traz estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de tudo o que o país produz em bens e serviços. Para 2026, o mercado projeta crescimento de 1,80%, mesma previsão mantida há cinco semanas. O mesmo percentual é esperado para 2027, enquanto 2028 tem projeção um pouco maior, de 2%. Esses números indicam uma economia em crescimento, mas em ritmo mais lento do que o observado em anos recentes.
Dólar deve seguir estável nas projeções
No câmbio, as expectativas seguem praticamente inalteradas. O mercado projeta que o dólar feche 2026 cotado a R$ 5,50, valor repetido para 2027. Para 2028, a previsão é de R$ 5,52. O câmbio influencia diretamente a inflação, já que um dólar mais caro tende a encarecer produtos importados e itens ligados ao mercado internacional, como combustíveis.
Outro ponto central do boletim é a taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para empréstimos, financiamentos e investimentos. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, o nível mais alto desde 2006.
Segundo o mercado, essa taxa deve cair para 12,25% até o fim de 2026, recuar para 10,50% em 2027 e chegar a 9,88% em 2028. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém os juros altos, o objetivo é conter a inflação, tornando o crédito mais caro e estimulando a poupança. Isso reduz o consumo e ajuda a segurar os preços, mas também pode desacelerar a economia.
Já quando a Selic cai, o crédito tende a ficar mais barato, facilitando compras parceladas, investimentos e expansão dos negócios. Por outro lado, juros menores costumam reduzir o controle sobre a inflação, exigindo atenção do Banco Central.