O começo do ano costuma trazer uma combinação delicada para o orçamento de muitas famílias: após as festas, o limite do cartão de crédito tende a ser renovado e o comércio entra em um período de liquidações pós-Natal, quando produtos acumulados em estoque são vendidos com preços reduzidos.
Para quem acompanha promoções com atenção, essas ofertas parecem um convite irresistível, mas, sem disciplina, podem resultar em parcelas acumuladas e despesas difíceis de pagar nos meses seguintes, especialmente quando o uso do cartão não é acompanhado por um planejamento financeiro cuidadoso.

Nesses casos entra em cena o chamado crédito rotativo, que é acionado quando o pagamento da fatura não é quitado integralmente no vencimento e o saldo remanescente passa a ser financiado com juros altos.
Segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil, a taxa média de juros do crédito rotativo do cartão de crédito alcançou cerca de 445,7% ao ano em um período recente, tornando-se uma das linhas de crédito mais onerosas disponíveis no mercado financeiro brasileiro.
Com a aprovação do projeto de lei do programa Desenrola, o governo estabeleceu prazo para que as instituições financeiras definam um teto para esses encargos rotativos. Caso isso não ocorra, a lei prevê que o limite máximo de juros nesta modalidade seja reduzido para 100% ao ano, o que ainda pode representar um custo elevado para quem recorre a esse tipo de crédito.
Mesmo diante dessa mudança, o custo de financiar saldos em atraso permaneceu historicamente alto, exigindo atenção redobrada por parte dos consumidores.


