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Limite do cartão liberado no início do ano: usar ou segurar?

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O começo do ano costuma trazer uma combinação delicada para o orçamento de muitas famílias: após as festas, o limite do cartão de crédito tende a ser renovado e o comércio entra em um período de liquidações pós-Natal, quando produtos acumulados em estoque são vendidos com preços reduzidos.

Para quem acompanha promoções com atenção, essas ofertas parecem um convite irresistível, mas, sem disciplina, podem resultar em parcelas acumuladas e despesas difíceis de pagar nos meses seguintes, especialmente quando o uso do cartão não é acompanhado por um planejamento financeiro cuidadoso.

Limite do cartão, como usar em janeiro?
Uma variável importante nesse contexto é o custo do crédito no Brasil, especialmente quando o consumidor deixa de pagar o valor total da fatura | Foto: Reprodução / Canva

Nesses casos entra em cena o chamado crédito rotativo, que é acionado quando o pagamento da fatura não é quitado integralmente no vencimento e o saldo remanescente passa a ser financiado com juros altos.

Segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil, a taxa média de juros do crédito rotativo do cartão de crédito alcançou cerca de 445,7% ao ano em um período recente, tornando-se uma das linhas de crédito mais onerosas disponíveis no mercado financeiro brasileiro.

Com a aprovação do projeto de lei do programa Desenrola, o governo estabeleceu prazo para que as instituições financeiras definam um teto para esses encargos rotativos. Caso isso não ocorra, a lei prevê que o limite máximo de juros nesta modalidade seja reduzido para 100% ao ano, o que ainda pode representar um custo elevado para quem recorre a esse tipo de crédito.

Mesmo diante dessa mudança, o custo de financiar saldos em atraso permaneceu historicamente alto, exigindo atenção redobrada por parte dos consumidores.

Como reconhecer quando o cartão pode ajudar?

Apesar dos riscos dos juros elevados, o cartão de crédito não é necessariamente um inimigo do orçamento quando utilizado de forma consciente. No início do ano, essa forma de pagamento pode trazer vantagens em determinadas situações, desde que os gastos sejam compensados com pagamento integral da fatura e planejamento financeiro prévio.

Para compras feitas em lojas online ou físicas, o cartão permite concentrar despesas em uma única data e, em alguns casos, parcelar valores mais altos sem juros quando essa condição é oferecida pelo comércio.

Outro benefício potencial ocorre quando o cartão oferece incentivos extras, como cashback (devolução de parte do valor gasto), programas de pontos ou acúmulo de milhas aéreas. Esses benefícios, quando avaliados corretamente, podem reduzir o custo efetivo das compras ou gerar economia em etapas futuras, desde que as taxas de anuidade e demais encargos não superem as vantagens oferecidas.

Além disso, o uso disciplinado do cartão de crédito, com pagamentos realizados em dia e sem atraso, contribui para a construção de um histórico de crédito mais sólido. Esse histórico, em condições favoráveis, pode facilitar o acesso a empréstimos ou financiamentos com condições mais vantajosas no futuro, como para aquisição de veículos ou imóveis, já que demonstra capacidade de honrar compromissos financeiros.

Onde o risco se intensifica?

Os problemas começam a surgir quando o limite disponível no cartão é interpretado como dinheiro extra. A proximidade de liquidações, somada ao apelo emocional de promoções e descontos, muitas vezes leva a compras impulsivas que não estavam previstas no orçamento.

Embora seja possível encontrar ofertas verdadeiramente vantajosas após o período de festas, é essencial avaliar se o produto ou serviço atende a uma necessidade real e se a aquisição foi planejada dentro dos recursos disponíveis.

Outro ponto que merece atenção envolve a comparação entre parcelar e pagar à vista. Em situações em que uma compra pode ser feita sem juros ao dividir o valor em prestações, alguns especialistas recomendam manter o dinheiro aplicado em investimentos de alta liquidez que gerem algum rendimento, pagando as parcelas conforme vencem.

Entretanto, parcelar sem considerar o custo total ou fazer compras acima da capacidade de pagamento pode resultar em comprometer uma parte significativa da renda mensal. Quando os gastos com o cartão começam a ocupar mais de 40% da renda disponível, o orçamento fica mais vulnerável a imprevistos, como despesas médicas, manutenção do carro ou mesmo contas essenciais como energia elétrica e água.

Esse desequilíbrio pode empurrar o consumidor para o crédito rotativo ou para o refinanciamento da fatura, situações em que os juros compostos elevam rapidamente o valor devido.

Compras em liquidações: cautela recomendada

As liquidações pós-festas, muitas vezes com grandes descontos, são momentos em que é possível economizar, especialmente em itens duráveis ou já planejados para compra. No entanto, aproveitar essas oportunidades demanda estratégia: antes de finalizar uma compra, é importante verificar se o preço realmente representa uma economia em relação ao histórico de preços, se as condições de troca são favoráveis e se o item se encaixa no orçamento que foi previamente definido.

Definir um orçamento claro para essas compras e compará-lo com o limite do cartão ajuda a evitar gastos desnecessários e reduz a chance de que a fatura do mês seguinte surpreenda negativamente. Comparar preços entre lojas, verificar se a oferta anunciada tem prazo de validade real e confirmar se o parcelamento não implica juros ocultos também são práticas que elevam as chances de aproveitar descontos sem comprometer o equilíbrio financeiro.

Controlar os gastos do cartão de crédito exige disciplina. Monitorar o extrato regularmente, estar atento às datas de fechamento e vencimento da fatura e entender quanto do limite disponível realmente cabe no seu orçamento são práticas que melhoram a saúde financeira. Reduzir o número de cartões ativos, sempre que possível, evita dispersão de gastos e dificulta o acompanhamento de todas as movimentações.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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