O que explica a queda das criptomoedas?
A desvalorização acontece em um momento de menor apetite ao risco nos mercados globais. Investidores têm reduzido a exposição não apenas a criptomoedas, mas também em ações de tecnologia, metais preciosos e outros ativos considerados mais voláteis.
O ouro e a prata, por exemplo, passaram a registrar oscilações mais intensas após meses de compras especulativas. A prata acumulou queda de 16,6%, sendo negociada a cerca de US$ 73,41, aproximadamente R$ 400 por onça.
No mercado de ações, índices importantes dos Estados Unidos também recuaram. O S&P 500 (principal índice da Bolsa de Valores dos Estados Unidos) caiu para perto das mínimas de duas semanas, enquanto o Nasdaq (outra Bolsa de Valores dos Estados Unidos conhecida por reunir grandes empresas de tecnologia) atingiu o menor nível em mais de dois meses, pressionado especialmente por empresas ligadas à inteligência artificial.
ETFs e política monetária entram no radar
Parte da pressão sobre as criptomoedas vem das retiradas de recursos de ETFs, fundos negociados em bolsa que investem em bitcoin. Segundo analistas do banco alemão Deutsche Bank, esses fundos têm registrado saídas bilionárias mês após mês desde a desaceleração do mercado em outubro de 2025.
Em janeiro, os ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos tiveram saídas superiores a US$ 3 bilhões, cerca de R$ 16,5 bilhões, após retiradas de aproximadamente US$ 2 bilhões em dezembro e US$ 7 bilhões em novembro.
Outro fator que pesa é o cenário político e monetário nos Estados Unidos. A possível indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, elevou temores de uma política mais dura contra a inflação.
“O mercado teme um perfil mais rígido, que pode reduzir o balanço do Fed”, afirmou Manuel Villegas Franceschi, da equipe de pesquisa do banco suíço Julius Baer em entrevista a CNN. Segundo ele, menos dinheiro circulando tende a prejudicar ativos como as criptomoedas.