Impacto anual também muda em 2026
As alterações não se limitam ao desconto mensal. No cálculo anual do Imposto de Renda, quem receber até R$ 60 mil ao longo de 2026 também ficará isento. Para rendas entre R$ 60.000,01 e R$ 88,2 mil, haverá uma redução gradual do imposto devido. Acima desse valor, o cálculo segue sem qualquer desconto extra.
Esse redutor anual tem um limite: ele não gera imposto negativo nem aumenta automaticamente a restituição. Serve apenas para diminuir o valor a pagar, quando houver imposto devido.
Quem paga a conta da mudança?
A ampliação da isenção representa uma renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões. Para compensar essa perda de arrecadação, o governo criou o chamado Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado para contribuintes de renda muito elevada.
Essa nova cobrança atinge salários altos, lucros e dividendos, além de rendimentos de aplicações financeiras tributáveis. A estimativa oficial é que cerca de 141 mil pessoas, consideradas no topo da pirâmide de renda, passem a pagar mais imposto para equilibrar as contas públicas.
O que muda?
Para quem ganha até R$ 5 mil, o salário líquido aumenta já no pagamento de fevereiro. Para rendas intermediárias, o desconto continua existindo, mas fica menor. Já quem recebe acima de R$ 7.350 não percebe diferença imediata, pois a tabela tradicional permanece em vigor. Apesar das alterações, a Receita Federal manteve a estrutura básica do Imposto de Renda. O que mudou foram os redutores aplicados sobre essa tabela, funcionando como um abatimento extra para beneficiar as faixas mais baixas.
Com isso, o governo busca aliviar o orçamento mensal de milhões de famílias, sem alterar formalmente as alíquotas do imposto. Ainda assim, é importante acompanhar os rendimentos ao longo do ano para evitar surpresas na declaração anual, especialmente no caso de quem possui mais de uma fonte de renda. As novas regras já estão valendo e, para muitos trabalhadores, fevereiro marca o início de um salário um pouco mais cheio no fim do mês.


