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PCC e CV entram na lista de terrorismo dos EUA; entenda os impactos para o Brasil

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Os Estados Unidos elevaram drasticamente o tom contra o crime organizado na América Latina. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou oficialmente a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A medida integra o programa de segurança “Escudo das Américas”, do governo do presidente norte-americano Donald Trump.

A decisão, que entra em vigor plenamente em 5 de junho, já inclui as facções na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados. Na prática, isso aciona gatilhos automáticos de bloqueios financeiros, sanções econômicas e rastreamento internacional de patrimônio e contas bancárias.

Governo dos EUA inclui PCC e CV em lista de terrorismo internacional e aumenta a pressão sobre o sistema financeiro e de compliance na América Latina | Foto: Reprodução/ Pexels
Governo dos EUA inclui PCC e CV em lista de terrorismo internacional e aumenta a pressão sobre o sistema financeiro e de compliance na América Latina | Foto: Reprodução/ Pexels

O que é o programa “Escudo das Américas”

O Escudo das Américas é uma coalizão política e financeira desenhada pelos Estados Unidos para sufocar as rotas do crime no Atlântico Sul e Caribe.

Embora envolva forte cooperação de inteligência e forças armadas, o verdadeiro coração do programa é a asfixia financeira.

O projeto funciona como um fundo regional de combate ao crime e prevê mecanismos rígidos que impactam diretamente o ecossistema de negócios:

  • Rastreamento global de patrimônio: Cruzamento de dados com inteligência artificial para mapear contas correntes, investimentos e o uso de laranjas no exterior.
  • Bloqueio de empresas de fachada: Sanções automáticas a companhias de logística, portos e comércio exterior suspeitas de integrar a cadeia de suprimentos das facções.
  • Punição de apoio material: Qualquer instituição que facilite transações desses grupos, mesmo por falha de fiscalização, pode perder o acesso ao sistema de compensação e liquidação em dólar, o que isolaria o banco do mercado internacional.

Impacto no mercado: bancos, fintechs e fiscalização sob pressão

A classificação das facções brasileiras como entidades terroristas muda o patamar de risco para as instituições financeiras que operam no Brasil. O setor de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e as regras de verificação de identidade dos clientes (processo conhecido no mercado financeiro como Know Your Customer, ou “Conheça seu Cliente”) terão de ser severamente endurecidos.

Veja abaixo como os principais setores da economia serão afetados:

  • Grandes ancos (risco médio-alto): Terão de fazer auditorias muito mais rigorosas em transferências internacionais feitas pelo sistema global de pagamentos. Contas sinalizadas pelos EUA precisarão ser congeladas imediatamente.
  • Fintechs e carteiras digitais (risco alto): O setor de empresas de tecnologia financeira enfrentará maior cobrança por fiscalização devido à rapidez na abertura de contas digitais, exigindo sistemas mais robustos para monitorar transações fracionadas de Pix e moedas digitais.
  • Comércio exterior e logística (risco médio): A fiscalização em alfândegas e portos deve se tornar mais lenta e burocrática em rotas consideradas de risco no Caribe e Atlântico Sul.
  • Mercado imobiliário de luxo (risco alto): Haverá maior pressão e exigência de rastreabilidade para comprovar a origem do dinheiro usado para compras de imóveis de alto valor, especialmente em áreas litorâneas brasileiras.

Para manter as operações em dia, os bancos brasileiros que possuem filiais no exterior ou que fazem negócios com o sistema financeiro americano serão obrigados a cruzar suas bases de dados diariamente com a lista de sanções da agência de controle de ativos estrangeiros dos EUA (o órgão do governo americano responsável por aplicar sanções financeiras).

O dilema diplomático e o risco para o país

No plano político, o governo brasileiro tentou nos bastidores frear a decisão de Marco Rubio. A diplomacia brasileira argumenta que o PCC e o CV possuem fins puramente lucrativos e comerciais, sem a matriz ideológica ou política exigida pela lei brasileira para que um grupo seja enquadrado como terrorista.

Essa medida abre um precedente complexo. Ela dá aval jurídico para que os EUA apliquem punições econômicas a empresas e indivíduos em solo brasileiro de forma unilateral, além de inflamar o debate sobre segurança pública nas eleições presidenciais de 2026.

Nas próximas semanas, o governo americano deve publicar o manual completo com os detalhes de operação do Escudo das Américas. Empresas brasileiras que atuam com comércio exterior ou movimentação de capital internacional devem atualizar imediatamente seus manuais de conformidade e gestão de riscos.

Sobre o autor Fernanda Evarista

Jornalista com qualificação em gestão esportiva e atuação na captação de recursos para a realização de projetos sociais de alto impacto

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