O Novo Desenrola Brasil renegociou R$ 26,8 bilhões em dívidas de famílias desde o início do programa, em 4 de maio. Nesse período, foram realizadas 5,12 milhões de operações, segundo o Ministério da Fazenda.
Apesar do volume de acordos, o programa está chegando ao fim. As renegociações podem ser feitas pelos bancos até esta segunda-feira, 31 de agosto, e o Ministério da Fazenda informou que não há previsão de uma nova prorrogação. O prazo já havia sido ampliado por um mês.
A iniciativa foi criada para ajudar pessoas que estão com determinadas dívidas atrasadas (como por exemplo, cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal) a colocar as contas em ordem. Para isso, oferece descontos que podem chegar a 90%, juros de até 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses para pagar.
O programa é destinado a pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o que atualmente corresponde a R$ 8.105. Além do limite de renda, existe uma regra para a “idade da dívida”. Podem entrar no programa débitos (ou seja, dívidas) contratados até 31 de janeiro de 2026 que estejam atrasados há pelo menos 91 dias e, no máximo, dois anos.

Quais são as condições para pagar a dívida?
O principal atrativo do programa são as condições oferecidas para quem precisa renegociar a dívida, com descontos que podem chegar a 90% do valor. Os juros cobrados podem ser de, no máximo, 1,99% ao mês, e o prazo para quitar o acordo pode chegar a 48 meses, o equivalente a quatro anos.
Outra possibilidade é usar parte do dinheiro disponível no FGTS, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, para diminuir ou quitar a dívida. Podem ser utilizados recursos tanto de contas ativas quanto de contas inativas. O trabalhador pode usar o que for maior entre R$ 1 mil ou 20% do saldo disponível no FGTS.
Esse uso, porém, depende da contratação da operação, da autorização do trabalhador e dos procedimentos exigidos pela instituição financeira em que a dívida será renegociada.
Como fazer a renegociação?
A renegociação é feita diretamente pelos bancos e instituições financeiras que participam do programa. Para tentar um acordo, o consumidor deve procurar os aplicativos, sites ou canais oficiais do próprio banco. É nesses canais que será possível verificar as condições disponíveis para a dívida e seguir os procedimentos para a renegociação.
O programa termina nesta segunda-feira, 31 de agosto, por isso, quem está dentro das regras e ainda pretende participar precisa procurar a instituição financeira o quanto antes.
Novo Desenrola também teve versão para empresas
O programa também alcançou empresas que enfrentam dificuldades para pagar suas dívidas. No Desenrola Empresas foram renegociados R$ 33,8 bilhões, distribuídos em 237 mil operações pelo Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e cerca de 56 mil operações pelo Procred (linha de crédito do governo federal voltada para MEis e microempresas), com valor aproximado de R$ 2,13 bilhões.
O Pronampe e o Procred são programas voltados ao crédito para empresas, mas os dados apresentados pelo Ministério da Fazenda mostram que a renegociação para famílias e a renegociação para empresas alcançaram volumes diferentes.
Mesmo com acordos, inadimplência continua alta
O número de renegociações mostra que milhões de operações foram feitas, mas os dados do Banco Central indicam que o problema das dívidas atrasadas continua forte.
A inadimplência média total dos bancos nas operações de crédito passou de 4,6% em junho para 4,9% em julho. Esse percentual mostra a parcela das operações de crédito que está em atraso.
Segundo os dados apresentados, 4,9% é o maior índice desde o início da série histórica revisada pelo Banco Central, em março de 2011. Por isso, os resultados do Novo Desenrola ainda não significam que o problema da inadimplência das famílias foi resolvido.
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC), entidade que representa bancos, avalia que ainda é cedo para afirmar que as renegociações serão suficientes para mudar de maneira significativa a trajetória da inadimplência das famílias.
Ao mesmo tempo, a entidade considera que fazer os acordos diretamente pelos canais dos bancos tornou o processo mais simples, acessível e rápido para os consumidores.


