Combustível pode ficar mais barato, mas consumo tende a aumentar
Um dos argumentos do governo para aumentar a participação do etanol é reduzir a dependência da gasolina importada.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a nova mistura permitirá deixar de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano. A expectativa também é de uma redução média de R$ 0,03 por litro no preço cobrado nas bombas, considerando os valores atuais dos combustíveis.
A decisão também gerou críticas de associações ligadas ao setor de combustíveis. Em nota conjunta, Brasilcom, Abicom, Fecombustíveis e SindTRR afirmaram que a mudança deveria ser aplicada somente após a conclusão de mais estudos técnicos.
As entidades dizem que a preocupação é maior com cerca de 15% da frota brasileira, formada por veículos que não possuem motor flex, além de motocicletas e pequenas embarcações movidas exclusivamente a gasolina.
Segundo essas organizações, o aumento da mistura pode provocar alterações no desempenho, na durabilidade de alguns componentes e nos custos de manutenção desses veículos.
O governo, no entanto, afirma que os testes realizados até agora indicam que a nova gasolina pode ser utilizada sem impactos relevantes no funcionamento dos motores.
A medida terá validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada por mais seis meses. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a tendência é tornar a mudança permanente.
Além disso, o governo já realiza estudos para elevar o percentual de etanol para 35% no futuro. Segundo o ministério, essa possibilidade só será analisada depois da conclusão dos testes técnicos e da avaliação dos impactos econômicos, tanto para os consumidores quanto para o mercado de combustíveis.


