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Feijão pode chegar a R$ 12 o quilo em fevereiro

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O preço do feijão pode subir ainda mais nos próximos meses. O quilo do feijão-carioca pode chegar a R$ 12 em algumas regiões em fevereiro, segundo avaliação do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe). O cenário ocorre mesmo com o produto já valorizado no campo e está relacionado à redução da área que deve ser destinada ao plantio na safra 2026/27, além da possibilidade de problemas climáticos e dos estoques mais baixos.

No mercado agrícola, a saca de feijão já ultrapassou R$ 310 em alguns negócios. Nas últimas semanas, os preços chegaram a subir entre R$ 10 e R$ 15 em intervalos de apenas três ou quatro dias, mostrando que a pressão sobre o produto ganhou força durante setembro.

Feijão pode chegar a R$ 12 o quilo em fevereiro
A situação chama atenção porque este é um período em que a oferta da chamada terceira safra costuma ajudar a abastecer o mercado | Foto: Reprodução / Canva

A colheita dessa etapa ocorre principalmente entre junho e agosto em diferentes regiões, mas, neste ano, o volume chega a um mercado que já vinha trabalhando com preços elevados.

Produtor não deve aumentar o plantio

Mesmo com o feijão valorizado, os primeiros sinais para a safra 2026/27 não indicam crescimento da área plantada em regiões importantes. No Paraná, um dos principais produtores, a estimativa do Ibrafe é de que a primeira safra ocupe cerca de 90 mil hectares, contra 104 mil hectares no ciclo anterior.

Se a estimativa se confirmar, será a menor área para essa primeira safra no Paraná desde 2015/16. Ainda não há informações consolidadas de todos os estados para calcular como ficará o plantio no país, mas o número mostra que o preço elevado do feijão não está sendo suficiente para estimular uma expansão proporcional da produção.

Uma das razões está na comparação com a soja. Na referência utilizada pelo Ibrafe, duas sacas de soja equivalem aproximadamente a uma saca de feijão. Com a soja cotada a R$ 152 por saca, essa conta colocaria o feijão em torno de R$ 304 para remunerar o produtor.

O feijão-carioca chegou justamente a uma faixa próxima desse valor em setembro. Como o cultivo apresenta mais riscos no campo e na comercialização, um preço de R$ 300 por saca não necessariamente gera o mesmo interesse em plantar que duas sacas de soja vendidas por R$ 150 cada.

Estoques menores aumentam a pressão

Outro fator que pesa sobre o mercado é a quantidade de feijão armazenada. Com os preços considerados remuneradores, o produtor tem menos interesse em manter o produto guardado. A estratégia passa a ser vender, receber o dinheiro e evitar os custos e os riscos envolvidos na armazenagem.

Isso reduz os estoques disponíveis justamente em um momento em que o mercado deveria começar a formar uma reserva para abastecer os primeiros meses de 2027. Se a próxima safra não entregar volume suficiente para recuperar essa oferta, a pressão sobre os preços pode continuar.

O clima também entra nessa conta. As projeções para a primavera e o verão de 2026/27 apontam para um El Niño forte, que pode afetar o plantio e o desenvolvimento das lavouras de maneiras diferentes dependendo da região.

No Sul, o excesso de chuva pode atrasar o plantio e dificultar o trabalho no campo. Em outras áreas, períodos de calor e chuvas irregulares podem prejudicar as lavouras que dependem diretamente das condições climáticas.

Consumidor pode sentir a alta no mercado

O principal reflexo dessa combinação pode aparecer na prateleira. O Ibrafe considera possível que o feijão-carioca alcance R$ 12 o quilo no varejo em algumas regiões em fevereiro caso a área plantada, a produtividade, o clima, o ritmo das vendas e os estoques não sejam suficientes para equilibrar a oferta.

Esse valor não representa, no entanto, uma previsão para todo o Brasil, nem significa que o preço necessariamente chegará a esse nível. Trata-se de um cenário que dependerá do comportamento da produção e do mercado nos próximos meses.

O consumo também pode dificultar um ajuste rápido. Quando o feijão esteve entre R$ 5 e R$ 6 o quilo, a procura não caiu de maneira significativa. Mesmo na faixa entre R$ 7 e R$ 10, não houve uma redução suficiente para reequilibrar rapidamente o mercado.

Segundo a avaliação apresentada, uma queda mais forte no consumo poderia ocorrer apenas com preços entre R$ 12 e R$ 15 o quilo.

O problema é que o consumidor também tem poucas alternativas para trocar o feijão-carioca por outro tipo mais barato. O feijão-caupi não possui oferta folgada, enquanto o feijão-preto passou por um longo período de desestímulo à produção. O Brasil também já recorre a importações da Argentina para abastecer o mercado desse tipo de feijão.

Assim, se o carioca continuar subindo, a troca por outra variedade pode não representar uma solução mais barata para quem precisa economizar nas compras do supermercado.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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