Seria possível explicar a essência do brasileiro de forma mais intrínseca do que a comida? Do fogão à mesa, a relação do brasileiro com o alimento e a gastronomia é profunda e multifacetada, enraizada em uma história de influências indígenas, africanas e europeias, resultando em um caldeirão fervente de culturas e sabores.
Azeitados pelo país, surgem eventos que reforçam o caráter de protagonismo dos nossos temperos. Seja em festivais como Comida di Buteco, Rio Gastronomia ou nas semanas em que a culinária regional pede passagem, como no Restaurant Week ou como o que será feito na realização do Fábrica de Chefs 2025, no Espírito Santo, a partir do dia 28 de abril — e de maneira singular.
Ao atrair chefs de destaque e entusiastas da culinária, o evento já tem movimentado diversos setores, desde a hotelaria e o turismo até os produtores locais de ingredientes, criando um ciclo virtuoso de crescimento. Não é apenas o sabor de apreciar um belo preparo — indo além: é preciso entender o feito como ativo econômico importante em diversas frentes.
No rol de ingredientes, personalidades que têm ajudado a construir essa alquimia. Como Léo Abreu, Lucas Corazza, Valéria Gonçalves e Henrique Fogaça.
A coluna entrevistou Hugo Grassi, um chef expoente capixaba e com conhecimento de causa sobre a gastronomia brasileira, italiana e do mundo, além de ser o criador do evento.

- Hugo, como a Fábrica de Chefs 2025 contribui para o desenvolvimento e a promoção da gastronomia do Espírito Santo no cenário nacional?
A Fábrica de Chefs 2025 vem não só para destacar o que há de melhor e mais atual na gastronomia, mas também para evidenciar o Espírito Santo, colocando-o no mapa ao mostrar toda a nossa riqueza. A iniciativa de reunir chefs renomados para essa troca de experiências fortalece e valoriza nosso vínculo com todo o país, além de incentivar tanto os chefs do estado quanto os alunos de gastronomia. Essa visibilidade cria inúmeras oportunidades em um setor que cresce a cada dia.
Nesta edição, percebi a necessidade de abordar também a hospitalidade e o atendimento ao cliente, temas nos quais nosso estado ainda carece de desenvolvimento. Por isso, traremos estratégias relevantes para que gestores possam alavancar seus negócios e proporcionar experiências excepcionais aos clientes.
- Quais são os principais desafios e oportunidades ao se criar um evento gastronômico que celebra a diversidade culinária brasileira?
Com toda certeza, o maior desafio é coordenar a logística de reunir tantos profissionais de diferentes regiões e realizar uma curadoria que realmente agregue valor e propósito na vida das pessoas. Embora sejam dias e noites dedicados a transformar ideias em realidade, essas dificuldades são superadas graças à excelente equipe e às parcerias que caminham juntas para promover a integração cultural, valorizar as cozinhas regionais e oferecer ao público uma experiência única, enriquecendo o panorama gastronômico nacional.
- De que maneira a sua experiência no Hell’s Kitchen Brasil influenciou a sua abordagem na escolha dos chefs e na programação do evento?
Participar do Hell’s Kitchen Brasil foi uma experiência transformadora que ampliou minha visão sobre a gastronomia, trazendo lições sobre a importância da resiliência e da criatividade.
A correlação que desejo criar entre o Fábrica de Chefs e o Hell’s Kitchen é proporcionar ao espectador a sensação de estar imerso em um reality show, cercado por pessoas que compartilham os mesmos interesses e talentos, cada um em sua área específica. Quero que todos tenham a oportunidade de aprender, impactar e compartilhar conhecimento, transformando o evento em um verdadeiro show e celebração do que temos de melhor.
- Qual é a sua expectativa em relação ao impacto do evento na formação de novos talentos na área da gastronomia?
O que almejo com o evento é que ele sirva como uma plataforma educativa e inspiradora para todo o cenário gastronômico, principalmente no Espírito Santo. Quero estimular o desejo de buscar mais recursos e desenvolver habilidades técnicas e criativas nos participantes. Sei que essa interação direta com chefs de destaque proporciona visões valiosas sobre o mercado, a linha de trabalho e como mostrar seu potencial e diferencial.
A Fábrica de Chefs sempre busca destacar a riqueza dos ingredientes nativos, assim como as técnicas que incentivam chefs e entusiastas a explorarem e incorporarem esses elementos em suas criações. A conscientização sobre os alimentos utilizados é um assunto que levo com muita seriedade e preocupação, desde a escolha dos fornecedores e agricultores até o produto final que chega à mesa do cliente. Quero garantir que ele tenha não apenas beleza e sabor, mas também consistência, com todo o processo feito de maneira correta, pensada e favorável a todos.
Esse é um dos princípios e propósitos que desejo inspirar em todos os presentes no evento, para que possam refletir e se conscientizar em suas próprias cozinhas.


