Um medalhão que contém uma mecha do cabelo de Maria Antonieta, a última rainha da França antes da Revolução Francesa, foi leiloado recentemente na França pelo valor de € 9.660, o equivalente a aproximadamente R$ 62 mil. O item foi vendido com uma nota manuscrita que atesta sua autenticidade e a origem histórica do objeto.
Segundo informações da casa de leilões Osenat, responsável pela venda, o bilhete que acompanha o medalhão relata: “O cabelo de Maria Antonieta, rainha da França, foi-me dado por um promotor da Comuna encarregado das inspeções da prisão do Templo na época em que esta infeliz mulher estava detida lá”. A prisão do Templo, em Paris, foi onde Maria Antonieta permaneceu encarcerada após a queda da monarquia, até sua execução, em 1793.

Esse não é o primeiro item relacionado à figura histórica que alcança altos valores em leilões. No final de 2024, um colar cravejado de diamantes, associado a um escândalo que contribuiu para a derrocada de Maria Antonieta, foi leiloado em Genebra, na Suíça, por 4,26 milhões de francos suíços, cerca de R$ 28 milhões. A peça é lembrada por seu papel no chamado “Caso do Colar de Diamantes”, um dos episódios que ajudou a desgastar a imagem da monarquia francesa às vésperas da Revolução.
Em outro exemplo do valor atribuído a objetos pertencentes ou associados à rainha, um pingente de pérola e diamante de sua coleção particular foi vendido, em novembro de 2018, por mais de US$ 36 milhões (aproximadamente R$ 203 milhões) em um leilão realizado pela Sotheby’s. O montante superou amplamente as estimativas iniciais, que avaliavam a peça entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões, demonstrando o fascínio contínuo que a figura de Maria Antonieta exerce sobre colecionadores e estudiosos.
Quem foi Maria Antonieta?
Nascida arquiduquesa da Áustria, casou-se com Luís XVI, futuro rei da França, numa tentativa de estreitar as relações entre as casas reais de Bourbon e Habsburgo. Contudo, sua imagem foi progressivamente associada à ostentação e ao distanciamento da realidade vivida pela população francesa, marcada pela fome e pela crise econômica.
Em março de 1791, temendo pela segurança de seus bens, Maria Antonieta ordenou que suas joias fossem cuidadosamente embaladas e enviadas para Viena, sua cidade natal. As peças foram escondidas em um baú de madeira e contrabandeadas para fora da França por um funcionário leal à monarquia. Esse episódio ocorreu poucos anos antes da queda definitiva da monarquia e da prisão da família real.
O destino trágico da rainha foi selado em outubro de 1793, quando foi condenada à morte e executada na guilhotina. Seu marido, Luís XVI, já havia sido executado meses antes, em janeiro do mesmo ano. O casal deixou dois filhos, sendo que o mais novo, Luís Carlos, conhecido como Luís XVII, morreu no cativeiro aos 10 anos, em 1795.
O interesse por objetos relacionados a Maria Antonieta permanece elevado, alimentado tanto pela importância histórica da figura quanto pelo simbolismo associado ao fim do Antigo Regime na França. Especialistas apontam que itens como o medalhão recentemente leiloado ganham valor não apenas pela raridade, mas também pelo papel que desempenham na preservação da memória de um dos períodos mais marcantes da história europeia.
A venda do medalhão reforça o contínuo interesse do mercado de leilões por peças ligadas a personagens históricos e pelo legado deixado por Maria Antonieta, cuja vida e morte continuam a inspirar estudos, obras literárias e produções cinematográficas ao redor do mundo.
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