Um abrigo que virou potência
Enquanto abrigo durante a tragédia climática, a Casa Tulipa conseguiu atender cerca de 380 famílias. Com a necessidade de expansão — já que, ao analisarem mães e filhos, percebiam que o retorno era para onde a água e a lama passavam — entenderam que, embora no abrigo houvesse comida, cama e acolhimento, os impactos na condição emocional eram ainda maiores.
A jornada da empreendedora tornou-se um pilar fundamental, buscando fortalecer as mães e trazer uma fonte de renda para as famílias. Em um esforço criativo e resiliente, foram criadas oficinas de costura sustentável, e as peças produzidas foram vendidas em feiras.
Também foram produzidos e vendidos pães e salgados. Essas ações, ao capacitarem as mulheres e promoverem a produção local, refletem um modelo que dialoga com os princípios da economia solidária e circular — onde os recursos e talentos são aproveitados e circulam na comunidade.
“Não somos mais um abrigo, somos um local de acolhimento com profissionais voluntários”, explica Geórgia. Além do apoio emocional, a ONG desenvolveu iniciativas voltadas para a autonomia econômica das mulheres.
Passados 12 meses das inundações, a engrenagem da Casa Tulipa luta para seguir ativa. Os dias intensos de trabalho no início deram lugar a uma fase em que as doações diminuíram significativamente, e a tragédia, para muitos, começou a ser esquecida. Apesar disso, a organização fortaleceu seu propósito de amparar as mães que ainda sofrem.


