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Um ano depois da tragédia no RS, ONG vira exemplo para continuar fazendo mais 

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Alimentar para permitir aprendizado

No novo momento, os problemas são outros. “Nesta nova fase, temos ainda desafios, como alimentação para nossas alunas e crianças, porque damos aulas para as mães e as crianças sempre vêm junto. Se não, as mães não conseguem estudar.” Ela complementa: “Este é um valor alto para nós: acolher os filhos sempre junto. Porém, crianças têm fome — e bastante.”

A ONG oferece aulas de segunda a sábado e busca fornecer um café reforçado à tarde e jantar para as turmas da noite, para que as mães possam estudar tranquilas, sem a preocupação de cozinhar ao chegar em casa. “Nosso objetivo é oferecer o jantar para que as mães não precisem chegar em casa e ainda cozinhar — quando têm o que cozinhar”, afirma. Embora já possuam um fogão e uma geladeira pequena, Geórgia lista o que ainda falta: utensílios, pratos, talheres, copos, panelas. E tudo por um único e claro objetivo: “Queremos alimentar todas para que tenham condições de estudar tranquilos.”

Além da alimentação, a Casa também conta com voluntários que oferecem diversas atividades, como aulas (incluindo a própria Geórgia, que ensina às quartas e aos sábados), terapia, futebol para crianças, capoeira, boxe e dança.

Um ano depois da tragédia no RS, ONG vira exemplo para continuar fazendo mais
A organização funciona de segunda a sábado, fechando às 22h, com o desejo de que todos saiam alimentados | Foto: Reprodução/Instagram/@ongcasatulipa

Geórgia menciona outras necessidades: “Gostaríamos de mais professores, voluntários, doações de roupas de inverno.” Atualmente, a manutenção depende, em parte, de verbas pessoais de Geórgia e Bernadete, além de pedidos contínuos de doações. A meta é alcançar grandes mercados para garantir doações frequentes.

Naquele que seria o local da carência, esgota-se a potência e a capacidade humana de se unir e transformar a dor em força, criando pontes para o recomeço e construindo uma rede de apoio que vai além do básico, investindo na autonomia e na esperança das famílias impactadas pela tragédia. E vai além: exige que haja amparo em formato de política pública. Só há uma conversa nesse sentido, sendo pautada pela continuidade.

Geórgia resume o esforço: “Usamos nossas verbas pessoais, eu e a Bernadete, e sempre estamos pedindo doações. Precisamos alcançar os grandes mercados com doações frequentes.”

Sobre o autor Edu Carvalho

Jornalista e apresentador. Com mais de uma década na comunicação, passou pela Globo, CNN, Revista Época. É colunista em Ecoa UOL e Projeto Colabora. Filho da Rocinha, cria do mundo.

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