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Bilionários na política: como Trump e Musk afetam a economia?

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A presença de bilionários na política e nas decisões econômicas globais é cada vez mais comum. No episódio do podcast Bilhões, o lado B da Moeda, os apresentadores AD Júnior e Danilo Ribeiro, ao lado da especialista em finanças Vanessa Oliveira, abordaram como figuras como Elon Musk e Donald Trump utilizam sua influência financeira para moldar a economia e a política internacional — e como isso respinga no bolso dos brasileiros.

É comum pensar que Musk e Trump estão distantes demais da realidade brasileira. Mas suas decisões — de investimentos a políticas protecionistas — impactam diretamente diversas decisões do nosso cotidiano | Foto: Reprodução/Nathan Howard/Unsplash

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É comum pensar que Musk e Trump estão distantes demais da realidade brasileira. Mas suas decisões — de investimentos a políticas protecionistas — impactam diretamente diversas decisões do nosso cotidiano | Foto: Reprodução/Nathan Howard/Unsplash

Quem são esses bilionários?

Elon Musk, sul-africano naturalizado americano, é CEO da Tesla e fundador de empresas como SpaceX, X (antigo Twitter) e Starlink. Musk lidera um conglomerado de mais de 20 empresas, muitas com base tecnológica, e chegou a ser considerado o homem mais rico do mundo, com patrimônio superior a US$ 180 bilhões (cerca de R$ 973 bilhões na cotação atual de R$ 5,41 por dólar, segundo dados do Forbes Real Time Billionaires).

Já Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos e novamente candidato ao cargo, é herdeiro de uma fortuna construída por seu pai, Fred Trump, no setor imobiliário. Sua atuação política ganhou força com seu apelo conservador e populista, mas ele continua sendo lembrado também por sua carreira empresarial, marcada por altos e baixos, como o colapso da Trump University e suas aparições em reality shows.

O poder que vai além do dinheiro

Segundo Vanessa Oliveira, a influência desses bilionários não se limita a suas empresas ou fortunas. “Eles criam soluções e mercados, investem neles, promovem para o público e, quando necessário, se retiram com lucro, deixando prejuízos para os demais investidores”, explicou. Isso foi evidente no caso das memecoins, quando Musk influenciou o mercado de criptomoedas com simples tweets.

Essa capacidade de interferência levanta questionamentos sobre a ética e os limites da atuação privada em políticas públicas. Como destacou AD Júnior, essas figuras atuam como “empresas dentro do Estado”, levando para a política uma lógica empresarial muitas vezes alheia ao bem-estar social.

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Impactos diretos nas economias mundiais

As decisões desses bilionários têm efeitos globais. Um exemplo recente é a taxa de 125% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos chineses, sob a justificativa de proteger a indústria americana. Medidas como essa, embora visem inicialmente beneficiar o mercado interno, acabam encarecendo produtos e impactando diretamente o consumidor americano — e indiretamente, o comércio internacional.

Segundo Vanessa, “o empresário americano vai pagar mais caro pelos produtos chineses e repassar esse custo ao consumidor. Isso pressiona a inflação local e pode reduzir o consumo”. Essa situação abre oportunidades para países como o Brasil, que podem substituir parte das importações chinesas, como apontado no caso da Embraer, que pode se beneficiar da suspensão da compra de aviões da Boeing pela China.

O Brasil no jogo global

O Brasil, embora geograficamente distante do eixo Washington-Pequim, é parte ativa das cadeias produtivas globais. Decisões como as de Musk e Trump afetam desde os investimentos em startups até o comércio de commodities.

Com mais de 214 milhões de habitantes, segundo o IBGE (Censo 2022), o Brasil representa um mercado consumidor robusto. Em contrapartida, a classe média chinesa já ultrapassa os 400 milhões, como mencionaram os participantes do podcast. Isso dá à China um poder de barganha comercial com o qual os EUA estão preocupados.

Com o aumento das tensões entre as potências, o Brasil pode tanto ganhar espaço em exportações quanto sofrer com volatilidade cambial, aumento de preços e redução de investimentos internacionais em função da instabilidade global.

O avanço do neoliberalismo

A discussão também foi além da economia. Os apresentadores citaram obras como “Nas Ruínas do Neoliberalismo”, de Wendy Brown, para mostrar como bilionários influenciam os rumos políticos globais a partir de seus interesses econômicos. Nesse cenário, o mercado se insere no Estado e molda políticas públicas conforme a lógica empresarial.

Essa fusão entre capital e poder político reforça uma nova forma de governança global, marcada por interesses privados à frente de decisões públicas — e com pouco espaço para o debate democrático.

Por que isso importa para você?

É comum pensar que Musk e Trump estão distantes demais da realidade brasileira. Mas suas decisões — de investimentos a políticas protecionistas — impactam diretamente os preços dos produtos que compramos, as startups que nascem aqui, o valor do dólar, e até as políticas de energia e tecnologia.

O podcast Bilhões cumpre bem o papel de aproximar essa discussão do cotidiano. Afinal, entender a influência de bilionários na economia é também entender os caminhos que afetam o seu bolso.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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