A recente distinção do Brasil como o primeiro “País Criativo do Ano” pelo Cannes Lions para 2025, somada aos dados robustos do Mapeamento da Indústria Criativa 2025, da Firjan, pinta um quadro claro: a essência da criatividade brasileira deixou de ser “jeitinho” e se transformou em inovação — na capacidade de improvisar que vira arte, na pluralidade de vozes que geram narrativas impactantes.

Os dados recém-lançados pela Firjan ajudam a iluminar essa potência. Em 2023, a Indústria Criativa contribuiu com 3,59% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, totalizando R$ 393,3 bilhões. Essa taxa de participação demonstra uma tendência de crescimento superior à da economia em geral, com a maioria dos profissionais — mais de 1 milhão — atuando em empresas cuja atividade principal não é criativa. Isso evidencia, no mínimo, dois pontos: a transversalidade da criatividade na economia brasileira e sua presença contínua em múltiplos setores, da indústria clássica à tecnologia.
Criatividade que transforma e impacta
Exemplos concretos ajudam a trazer essa realidade à tona. A campanha da Alma Preta, que conquistou uma prata no Cannes Lions ao abordar o racismo sob o contexto da corrida, é prova de que agências — e por que não o jornalismo — podem transformar temas sociais complexos em comunicação potente, reflexiva e impactante. É criatividade que educa, provoca e inspira mudanças, indo muito além de um “like”.
Como destacou Julia Zardo, coordenadora do estudo da Firjan, a mudança estrutural observada na economia brasileira é resultado do fortalecimento contínuo do mercado criativo, impulsionado por pilares como inovação, propriedade intelectual e valorização da criatividade. A pandemia, inclusive, acelerou a digitalização e a adoção de novas tecnologias, impulsionando ainda mais essa transformação.
Investir na indústria criativa não é um gasto — é uma estratégia inteligente de desenvolvimento. Mas ainda há caminho a percorrer. Para Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, é fundamental a existência de políticas públicas que promovam a capacitação profissional, incentivem a inovação e melhorem a infraestrutura para sustentar o crescimento do setor e ampliar sua contribuição econômica e social. Segundo ele, “o melhor ainda está por vir”, com futuros mapeamentos identificando os impactos positivos de diversas políticas setoriais.
Reconhecer, nutrir e investir nesse talento é pavimentar o caminho para um futuro de maior prosperidade e relevância mundial, afinal de contas, ser criativo é bom pro mundo todo.
Que a retirada, após nove dias das empresas DM9 e Consul terem ganho o Grand Prix da categoria Creative Data, em apuração de denúncias sobre informações imprecisas e manipuladas das peças publicitárias, não manche o nosso novo status.
Pega mal. E não vende.


