IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Coletivos culturais crescem e fortalecem economias locais no Brasil

Por

·

Movimentos artísticos e culturais têm ganhado protagonismo não só na produção de conteúdo criativo, mas também como força econômica em diversas regiões do Brasil. Os coletivos culturais, formados por grupos de artistas, educadores, produtores e lideranças comunitárias, estão movimentando as economias locais, criando oportunidades de trabalho, impulsionando o turismo e promovendo inclusão social.

A atuação desses grupos vai além da arte: eles impactam diretamente a renda das comunidades, principalmente em periferias urbanas e municípios afastados dos grandes centros. A valorização da cultura local e o incentivo à economia criativa têm mostrado um potencial real de transformação, reconhecido até por políticas públicas e instituições privadas.

O crescimento e impacto dos coletivos culturais têm chamado atenção de governos e empresas | Foto: Reprodução/Canva
O crescimento e impacto dos coletivos culturais têm chamado atenção de governos e empresas | Foto: Reprodução/Canva

Cultura que gera renda

De acordo com a pesquisa “Impacto Econômico da Economia Criativa no Brasil”, realizada em 2023 pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), o setor da economia criativa — que inclui atividades culturais, publicitárias, tecnológicas e de design — movimentou R$ 217,4 bilhões em 2022, o equivalente a 2,91% do PIB nacional.

Embora os coletivos culturais representem uma parcela mais informal e descentralizada desse setor, seu impacto é tangível. Projetos como o Afrobapho (BA), Slam das Minas (SP e DF), Coletivo Papo Reto (RJ) e Casa Poética (MA) são exemplos de como ações locais podem gerar receita com oficinas, apresentações, eventos, feiras e circulação de produtos autorais.

O caso do Coletivo Papo Reto

O Coletivo Papo Reto, criado em 2014 no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, é um grupo de comunicação comunitária que atua com audiovisual, fotografia e oficinas de formação. Seus trabalhos são reconhecidos nacionalmente e renderam parcerias com instituições como o Instituto Moreira Salles, o UNICEF e o Google Brasil.

Em uma única oficina de audiovisual oferecida em 2023, por exemplo, o coletivo capacitou mais de 30 jovens da comunidade, que passaram a atuar em produções independentes e em festivais, gerando uma renda média mensal entre R$ 800 e R$ 2.500 para os participantes, segundo dados divulgados em seus relatórios de impacto.

Geração de empregos e fortalecimento do turismo

Além da renda direta, os coletivos ajudam a fomentar microempreendimentos locais. Vendedores ambulantes, costureiras, cozinheiros e artistas visuais ganham espaço para expor seus produtos e serviços nos eventos culturais. Um levantamento feito pelo Observatório Itaú Cultural mostra que, para cada R$ 1 investido em cultura por meio de editais públicos, cerca de R$ 1,59 retorna à economia em forma de contratações e consumo local.

Em São Luís (MA), a atuação de grupos como a Casa Poética em bairros históricos movimenta não apenas a cena artística, mas o turismo. Eventos realizados pelo coletivo chegam a reunir 500 pessoas por edição, aquecendo o comércio local, especialmente bares, restaurantes e lojas de artesanato da região.

Financiamento e sustentabilidade

A sustentabilidade financeira dos coletivos, no entanto, ainda é um desafio. Muitos dependem de editais públicos ou doações. No entanto, há casos de grupos que passaram a funcionar como microempresas sociais, oferecendo serviços e produtos para garantir sua autonomia.

O Slam das Minas, por exemplo, realiza oficinas em escolas públicas, eventos com bilheteria solidária e vende produtos como camisetas, livros e zines — estratégias que ajudaram o coletivo a manter sua atuação mesmo durante a pandemia.

Leia também: Gramado Summit 2025 bate recordes e mira expansão global

O alcance dos coletivos culturais vai além do aspecto financeiro. Eles também têm papel central na formação de identidade, autoestima e cidadania de jovens e adultos. Em comunidades marcadas pela violência ou pela exclusão, a arte tem sido uma ferramenta de resistência e transformação.

Políticas públicas e parcerias

O crescimento e impacto dos coletivos culturais têm chamado atenção de governos e empresas. O Ministério da Cultura relançou, em 2023, a Política Nacional de Cultura Viva, com o objetivo de reconhecer legalmente coletivos como Pontos de Cultura. Segundo o governo federal, cerca de 4 mil Pontos de Cultura estão registrados em todo o país, com investimento previsto de R$ 100 milhões via Lei Paulo Gustavo.

Empresas privadas também têm buscado parcerias com coletivos para ações de responsabilidade social. O Itaú, por meio do programa Rumos, e a Natura, com o edital Natura Musical, são exemplos de empresas que fomentam iniciativas culturais com foco na diversidade e impacto social.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade
Publicidade