Um boneco da edição especial do Labubu foi vendido por US$ 10.585 (R$ 58.423,00) no eBay, empresa de comércio eletrônico, após 96 lances registrados em apenas um dia. A venda ocorreu em 23 de julho e chama atenção tanto pelo valor quanto pelo engajamento gerado. O exemplar, fruto de uma colaboração entre a Pop Mart (empresa chinesa de brinquedos com sede em Pequim) e a Vans, tornou-se uma das versões mais desejadas entre os colecionadores.
Essa não é a primeira venda expressiva da marca. Em maio, o “Three Wise Labubu” (conjunto de três bonecos Labubu que representam os três macacos sábios: não vejo, não ouço, não falo) foi arrematado por US$ 28,3 mil (R$ 156.216,00) em um leilão da Sotheby’s, empresa multinacional britânica com sede em Nova Iorque.
Em junho, uma peça em tamanho real foi vendida por mais de US$ 150 mil (R$ 828 mil) em uma casa de leilões na China. A colaboração entre a Pop Mart a Sacai (marca de moda japonesa) e a Seventeen, grupo de Kpop, também movimentou cifras altas, com venda por US$ 31.250 (R$ 172,5 mil).
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De livro ilustrado ao mercado de luxo
O personagem Labubu surgiu em 2015, no livro “The Monsters Trilogy”, do artista Kasing Lung, inspirado na mitologia nórdica. A produção física dos bonecos teve início em 2019, quando Lung licenciou suas criações para a Pop Mart, empresa chinesa especializada em brinquedos colecionáveis.
Os Labubus são vendidos, geralmente, em caixas de surpresa por valores entre US$ 20 e US$ 30 (R$ 110,00 a R$ 165,00). Porém, as edições “secretas” têm chances reduzidas de aparecerem — 1 em cada 72 caixas — e são justamente essas as mais valorizadas no mercado de revenda.
Viralização nas redes e apoio de celebridades
A popularidade dos bonecos foi amplificada pelo TikTok, principalmente por meio de vídeos de “unboxing”. Celebridades como Lisa (Blackpink), Rihanna e Dua Lipa também ajudaram a alavancar o sucesso, exibindo suas peças em postagens e eventos.
A demanda provocou cenas inusitadas. No Reino Unido, as bonecas chegaram a ser retiradas das lojas após tumultos e brigas. A Pop Mart instalou máquinas automáticas para conter o fluxo de pessoas, mas filas e aglomerações continuaram. Segundo a CNBC, há registros de fãs que viajaram entre países para conseguir edições raras.
Mercado bilionário e rivalidade entre colecionadores
Com unidades sendo furtadas de bolsas e até viagens com seguro incluído para proteger as bonecas, o mercado Labubu ganhou contornos de investimento de alto valor. Especialistas como Lori Verderame apontam que o fenômeno segue a linha de outros itens colecionáveis, como os Beanie Babies e as bonecas Cabbage Patch. A consultora acredita que a tendência tem sustentação e que o apelo estético, aliado à conexão literária e à exclusividade, é parte fundamental da valorização.
No entanto, nem todos os modelos têm valor crescente. Alex Fung, diretor de consignação da Goldin Auctions, observa que as primeiras edições e colaborações limitadas são as mais promissoras em termos de valorização. Já as versões mais comuns tendem a se manter em patamares baixos, como ocorreu com outros brinquedos em ciclos anteriores de febre de consumo.
Pop Mart cresce e enfrenta volatilidade no mercado
A Pop Mart International Group foi fundada por Wang Ning, empresário que atualmente figura entre os 10 bilionários mais ricos da China, com fortuna estimada em US$ 21 bilhões (R$ 115,92 bilhões). Em 2020, a empresa passou a ter ações negociadas na Bolsa de Hong Kong.
O crescimento tem sido acelerado. Em 2024, a Pop Mart registrou uma receita de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,94 bilhões), o dobro do resultado de 2023. Para o primeiro semestre de 2025, a projeção é de aumento de 350% no lucro e 200% na receita.
Apesar dos bons números, o mercado reagiu com cautela: as ações da companhia caíram 6% após a divulgação das previsões, o que reduziu temporariamente a fortuna de Wang Ning em US$ 900 milhões (R$ 4,96 bilhões).
Entregas confiscadas e denúncias de contrabando de Labubu
A procura intensa também levou a uma série de medidas regulatórias. Segundo a CNN, centenas de Labubus foram confiscados por autoridades alfandegárias na China, diante de tentativas de revenda sem autorização legal. Os colecionadores mais assíduos também enfrentam dificuldades para importar os bonecos, especialmente quando envolvem valores elevados ou grandes volumes.
Em meio à escalada dos preços, há ainda casos de furtos e perdas relatadas nas redes sociais. Em um dos episódios mais comentados, uma mulher criou uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro após ter seu boneco roubado durante um jantar.


