Ainda ecoam os números impressionantes da Bienal do Livro Rio e, mais recentemente, da Feira do Livro em São Paulo. Ambas foram eventos que não apenas encheram os corredores de entusiastas da leitura, mas também movimentaram uma cadeia produtiva robusta e multifacetada.
A Bienal do Livro Rio de 2025, que aconteceu em junho, não foi apenas um sucesso de público, mas também um verdadeiro fenômeno financeiro. Segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, o evento gerou um impacto econômico direto de mais de meio bilhão de reais na cidade. Esse valor, que chegou a R$ 535 milhões, demonstra como a literatura se tornou um motor para a economia local, aquecendo diversos setores.

A movimentação financeira é reflexo do público recorde que compareceu ao Riocentro: 740 mil visitantes, um aumento expressivo de 23% em relação à edição de 2023, que recebeu 600 mil pessoas. A feira registrou a venda de impressionantes 6,8 milhões de livros — um número que atesta o apetite do público por novas histórias e o poder de consumo do leitor brasileiro.
O sucesso da Bienal se espalhou por toda a cadeia produtiva do livro. Editoras como HarperCollins Brasil, Globo Livros, Companhia das Letras, Record, Sextante, Arqueiro, Intrínseca, Ediouro e Rocco relataram crescimentos notáveis nas vendas, com alguns faturamentos dobrando em comparação com a edição anterior.
Nomes já consolidados, como a atemporal Clarice Lispector com A Hora da Estrela, e autores contemporâneos que conquistaram o público, como Carla Madeira com Tudo é Rio, demonstram a força da literatura nacional. O sucesso se estendeu a diferentes gêneros, com a literatura infantojuvenil de Thalita Rebouças em Diário de Uma Garota Esquisita e o suspense de Raphael Montes, que viu suas obras Jantar Secreto, Dias Perfeitos e Suicidas ganharem ainda mais destaque com o sucesso da adaptação para streaming de Beleza Fatal.
A lista não para: Giovana Madalosso, Natália Timerman, Mateus Baldi, Andressa Marques, Ana Claudia Quintana Arantes, entre outros, provam a capacidade que autores brasileiros têm de dominar as listas de mais vendidos e dialogar diretamente com os interesses do público.
Muito mais que livros: economia, turismo e redes
Na Feira do Livro, em sua quarta edição, 80 mil pessoas passaram pelo vão aberto em frente ao Pacaembu, com um alcance de público 25% maior do que na edição de 2024. As vendas de livros também cresceram quase 40% em relação ao ano anterior.
É importante entender que esses dois acontecimentos mostram a influência da literatura não apenas para editoras e livrarias. O setor de turismo também colhe os frutos. Hotéis, restaurantes, transporte por aplicativo e táxis foram impactados positivamente pela grande quantidade de visitantes que vieram de outras cidades e estados para prestigiar a Bienal do Rio. Durante a feira de rua em São Paulo, o movimento intenso de pessoas também aqueceu os negócios locais, desde cafés a pequenas lojas.
Além disso, a internet e as redes sociais têm um papel fundamental nessa nova dinâmica. Criadores de conteúdo — os chamados bookstagrammers e booktubers — ajudam a emoldurar um novo quadro de movimentação financeira, seja pelas resenhas, indicações ou ações publicitárias. Criam um novo nicho de mercado para influenciadores digitais e marketing de conteúdo. Esse engajamento online gera um ciclo virtuoso, mantendo o interesse nos livros e em seus autores muito além das datas dos eventos.
Como análise direta e reta: quando se trata de livros, o impacto econômico e o sucesso de público andam de mãos dadas. Temos um ciclo virtuoso de negócios e cultura. Com eventos como esses, o futuro da economia do livro no Brasil parece estar sendo escrito com letras garrafais. E o melhor: com o MBL do bem — o “Muito Brasileiro pra Ler”. Que venha a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty!


