O Brasil registrou uma média de quase um festival de música por dia em 2024. Foram 364 eventos contabilizados, segundo a pesquisa “Festival, Tours & Music Events”, realizada pela plataforma de conteúdo sobre cultura e tendências Nozy. O número representa um crescimento de 20% em relação a 2023 e confirma a retomada da demanda por eventos ao vivo no período pós-pandemia.
O levantamento foi elaborado a partir dos dados da plataforma Mapa dos Festivais, que reúne informações sobre os principais eventos realizados no país. A Nozy observa que o resultado pode ser ainda maior, já que nem todos os festivais entram no cadastro da base consultada.

São Paulo lidera o ranking de festivais
O estado de São Paulo segue como a principal referência no setor, concentrando 98 festivais em 2024, número 19,5% superior ao registrado no ano anterior, quando foram contabilizados 82.
O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com 46 eventos, um a menos que em 2023. Já Minas Gerais registrou crescimento, passando de 22 para 28 festivais. O dado mostra que, embora o Sudeste continue liderando em quantidade, outras regiões do país começam a se destacar.
Avanço fora do eixo tradicional
A pesquisa revela ainda um movimento de descentralização dos festivais, com expansão para regiões que historicamente recebem menos eventos.
Na região Norte, o crescimento foi de 155% em 2024 na comparação com o ano anterior. No Centro-Oeste, a alta foi de 60%. O Nordeste registrou aumento de 22%, enquanto o Sudeste teve avanço de 14,6% e o Sul, 5%.
Segundo a Nozy, esse movimento reflete tanto o interesse crescente do público local quanto a aposta de produtores e marcas em novas praças.
Preços dos ingressos em alta
O crescimento na oferta de festivais foi acompanhado pela elevação no preço dos ingressos. O valor médio para assistir aos artistas preferidos em 2024 foi de R$ 375,40, contra R$ 329,00 em 2023, segundo a pesquisa. Isso representa um aumento de 14,1% em apenas um ano.
Apesar disso, o número de festivais gratuitos também avançou. Foram 76 eventos sem cobrança de ingresso em 2024, mais que o dobro dos 32 registrados em 2023. O dado indica que, paralelamente ao encarecimento de grandes produções, há também uma expansão de eventos com acesso livre ao público.
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Barreiras para frequentar festivais
O aumento no preço é apontado como a principal barreira à participação nos festivais. Entre as pessoas ouvidas na pesquisa da Nozy, 50,3% citaram o valor dos ingressos como maior obstáculo.
Em seguida, line-ups pouco atrativos aparecem como segundo fator, seguido por localização desfavorável (23,5%) e infraestrutura insuficiente (16,5%).
Esses dados reforçam que, além de preços mais acessíveis, o público busca programação de qualidade, locais com melhor acesso e estruturas que ofereçam conforto.
Perfil dos frequentadores
A pesquisa qualitativa ouviu 1.617 pessoas em ambiente digital, a partir de questionários divulgados nas redes sociais da Nozy.
Entre os respondentes, 77% se identificam como mulheres, 22% como homens e 1% como não-binários. A maior parte da amostra está na faixa etária entre 26 e 35 anos (40%), seguida por pessoas entre 19 e 25 anos (38%). Adultos de 36 a 45 anos representam 12%, jovens de 12 a 18 anos são 5% e pessoas com mais de 46 anos compõem 3% da amostra.
O levantamento indica que o público dos festivais é predominantemente jovem-adulto, com maior participação feminina, mas com espaço crescente para diferentes faixas etárias.
Panorama para os próximos anos
Os números de 2024 apontam para uma tendência de continuidade no crescimento dos festivais no Brasil. O aumento da oferta, a diversificação regional e a presença de mais eventos gratuitos mostram que o mercado permanece aquecido, ainda que a questão dos preços seja um desafio para a participação de parte do público.
Segundo a Nozy, os dados também refletem um movimento de consolidação do setor como parte central da agenda cultural brasileira, com potencial de atrair investimentos de patrocinadores e movimentar o turismo em diferentes regiões.


