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De meme a negócio: entenda como o “sabor energético” virou ativo econômico

O meme “sabor energético”, popularizado pelo influenciador Tiago Toguro, deixou de ser apenas um fenômeno de humor nas redes sociais e passou a representar um caso concreto de impacto econômico no mercado de influência e de consumo.

A frase, repetida de forma característica pelo criador de conteúdo, tornou-se um ativo estratégico capaz de impulsionar vendas, atrair grandes marcas e ampliar o faturamento de um ecossistema de negócios que já movimenta milhões de reais por mês.

O alcance do meme foi além do nicho fitness e ajudou a consolidar Toguro como um creator-empresário, com produtos próprios e parcerias comerciais de grande escala.

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Drinque viral mistura uísque e extrato de guaraná, mas não é classificado como energético | Foto: Reprodução/Instagram Toguro

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Drinque viral mistura uísque e extrato de guaraná, mas não é classificado como energético | Foto: Reprodução/Instagram

Quanto Toguro movimenta com seu ecossistema?

O faturamento mensal estimado de Tiago Toguro, considerando principalmente o energético ligado à Mansão Maromba e projetos associados, gira em torno de R$ 3 milhões por mês. No acumulado anual, esse valor supera R$ 36 milhões em faturamento bruto.

A maior parte desse valor é reinvestida na expansão do negócio, incluindo produção, estrutura fabril, logística e novas ativações de marca. O modelo segue uma lógica comum a negócios digitais de alto crescimento, nos quais escala e visibilidade são prioridades estratégicas.

Publicidade e valor de post nas redes sociais

Além dos produtos próprios, Toguro monetiza diretamente sua audiência nas redes sociais. Estimativas do mercado de marketing de influência indicam que o influenciador cobra cerca de R$ 50 mil por publicação patrocinada. Com mais de 9,4 milhões de seguidores no Instagram, o valor reflete não apenas alcance, mas recorrência de engajamento e capacidade de gerar conversas orgânicas.

Em momentos de viralização, como ocorreu com o meme “sabor energético”, esse valor tende a se tornar ainda mais competitivo, já que o conteúdo passa a circular de forma espontânea, reduzindo custos de mídia para as marcas.

Carmed “sabor energético”

A viralização ganhou uma nova camada quando a Cimed, empresa farmacêutica responsável pela marca Carmed, lançou o conceito “sabor energético”. O produto em si ainda não havia sido apresentado ao público, sem fórmula divulgada, sem data de lançamento e sem canais de venda definidos. Ainda assim, o conceito viralizou.

O foco não estava no hidratante labial, mas na construção de curiosidade e espetáculo digital. A frase “sabor energético”, já associada ao universo do Toguro e ao imaginário de performance e energia, foi suficiente para gerar engajamento massivo e conversas nas redes sociais.

Marketing de antecipação e economia da atenção

A estratégia adotada pela Cimed segue o chamado marketing de antecipação. Em vez de apresentar todas as informações, a marca lançou apenas uma pista narrativa e deixou que o público completasse o resto. Esse modelo reduz riscos, testa conceitos em tempo real e mede reação antes de investimentos mais pesados.

O sucesso da ação está ligado à combinação de três fatores. Uma marca já consolidada como a Carmed, um conceito propositalmente ambíguo e um influenciador que domina a lógica do hype digital. O resultado foi alto potencial de compartilhamento com baixo custo de aquisição de atenção.

Toguro como parte do negócio, não apenas mídia

No caso do Carmed “sabor energético”, Toguro não atuou apenas como rosto de campanha. Ele funcionou como vetor estratégico de atenção, emprestando autenticidade, bastidor e informalidade ao processo. Ao aparecer em ambientes de produção e nos conteúdos iniciais, reforçou a percepção de participação real no projeto.

Esse modelo se distancia do uso tradicional de influenciadores como simples canais de mídia. No mercado atual, criadores com forte identidade cultural passam a integrar a construção do produto e da narrativa, aumentando o valor percebido da colaboração.

Por que o meme “sabor energético” funciona?

No marketing digital, o meme reúne gatilhos clássicos da economia da atenção. A curiosidade é ativada pela entrega incompleta de informação. O cérebro do consumidor tenta interpretar o conceito, o que gera engajamento. A estética simples e repetitiva facilita a memorização e o compartilhamento.

Além disso, o termo “energético” carrega significados já consolidados no consumo brasileiro, como disposição, rotina intensa e performance, conectando-se diretamente ao universo da Mansão Maromba e ao público que acompanha Toguro.

Impacto financeiro das viralizações

Viralizações desse tipo têm impacto direto sobre o faturamento. Elas ampliam alcance orgânico, fortalecem o valor de marca e aumentam o poder de negociação em contratos publicitários e colaborações. No caso de Toguro, o meme reforçou tanto a venda do energético próprio quanto sua atratividade para grandes empresas.

No mercado brasileiro, collabs entre influenciadores de grande alcance e marcas consolidadas podem envolver contratos de seis dígitos, dependendo do escopo e da duração. Esses valores variam conforme métricas de engajamento e relevância cultural.

Transparência sobre números e limites

Embora os valores estimados indiquem faturamento elevado, é importante diferenciar faturamento bruto de lucro líquido. Custos operacionais, impostos, reinvestimentos e estrutura reduzem o resultado final. As informações disponíveis são baseadas em dados públicos e análises de mercado, sem auditoria independente.

O caso do meme “sabor energético” mostra como cultura digital, entretenimento e negócios se cruzam na economia atual, transformando atenção em ativo econômico mensurável.

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