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Carnaval e cultura geram mais retorno que alguns setores da indústria, aponta estudo

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O investimento em cultura e artes no Brasil, incluindo o Carnaval, apresenta um retorno econômico superior ao de setores tradicionais da indústria, como o automotivo. É o que revela a Pesquisa de Impacto Econômico da Lei Rouanet, elaborada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o Ministério da Cultura.

Carnaval gera mais retorno financeiro do que alguns setores da indústria
O levantamento mostra que cada R$ 1 aplicado em projetos culturais pode movimentar até R$ 7,59 na economia, superando o efeito multiplicador de R$ 3,76 registrado na cadeia de automóveis | Foto: Reprodução / Canva

Os números ajudam a dimensionar o peso da economia criativa no país. Apenas em 2024, os projetos apoiados pelo mecanismo de incentivo cultural movimentaram cerca de R$ 25,7 bilhões na economia brasileira. Esse volume inclui não apenas os recursos diretamente captados, mas também toda a circulação financeira gerada a partir das atividades culturais.

Impacto vai além do palco e da avenida

O estudo destaca que o efeito econômico não se limita ao valor investido nos projetos. A movimentação envolve gastos do público com transporte, alimentação, hospedagem, comércio e serviços diversos, além da contratação de fornecedores e profissionais que atuam na cadeia produtiva cultural.

Somente no ano passado, mais de 228 mil postos de trabalho foram gerados ou mantidos por atividades vinculadas aos projetos incentivados. Isso significa renda para artistas, produtores, técnicos de som, iluminadores, costureiras, profissionais de cenografia, seguranças e trabalhadores de apoio, entre muitos outros.

Além da geração de empregos, a pesquisa aponta que os projetos culturais resultaram em aproximadamente R$ 3,9 bilhões em tributos municipais, estaduais e federais. Ou seja, parte significativa do investimento retorna aos cofres públicos por meio de impostos, fortalecendo a arrecadação e ajudando a financiar outras áreas essenciais.

Carnaval como motor da economia criativa

Dentro desse universo, o Carnaval ocupa posição estratégica. Considerada a maior festa popular do país, a celebração movimenta uma ampla rede de profissionais e empresas, consolidando-se como um dos principais exemplos práticos de economia criativa em ação.

A preparação para os desfiles e blocos começa meses antes da folia. Escolas de samba, produtores culturais e empresas de eventos contratam equipes especializadas para criar fantasias, carros alegóricos, trilhas sonoras e estruturas de palco. Esse processo ativa oficinas de costura, ateliês de adereços, fábricas de estruturas metálicas e empresas de tecnologia.

Além disso, o setor turístico também se beneficia diretamente. Hotéis, bares, restaurantes e transportadoras registram aumento significativo na demanda durante o período da festa. O efeito multiplicador atinge ainda o comércio local, impulsionando vendas e fortalecendo pequenos empreendedores.

Retorno superior à indústria tradicional

O Índice de Alavancagem Econômica (IAE) calculado pela FGV demonstra que a cultura apresenta desempenho superior a segmentos industriais consolidados. Enquanto o setor cultural movimenta R$ 7,59 para cada R$ 1 investido, a indústria automotiva gera R$ 3,76 no mesmo cálculo.

Esse dado reforça a capacidade da economia criativa de gerar valor agregado a partir de conhecimento, inovação e produção simbólica. Diferentemente de cadeias industriais mais concentradas, a cultura distribui renda em diferentes regiões e níveis de qualificação profissional.

A comparação também desafia a visão tradicional de que apenas grandes indústrias de manufatura seriam capazes de impulsionar o crescimento econômico. Os números indicam que atividades culturais podem desempenhar papel relevante na estratégia de desenvolvimento nacional.

Desenvolvimento regional e inclusão produtiva

Outro ponto destacado pelo estudo é o potencial da cultura para estimular economias locais. Projetos culturais costumam estar espalhados por diferentes estados e municípios, promovendo descentralização da atividade econômica.

A economia criativa, modelo baseado em capital intelectual, criatividade e identidade cultural, abre espaço para micro e pequenos empreendedores. Profissionais autônomos e pequenas empresas encontram oportunidades em produção de eventos, design, comunicação, moda, audiovisual e artesanato.

Esse movimento contribui para ampliar a inclusão produtiva e reduzir desigualdades regionais, especialmente quando políticas públicas direcionam investimentos para territórios com menor dinamismo econômico.

Cultura como estratégia de crescimento sustentável

Ao movimentar bilhões de reais e gerar centenas de milhares de empregos, o setor cultural demonstra capacidade de impulsionar crescimento sustentável, com retorno financeiro mensurável e efeitos sociais positivos.

Em um cenário em que o país busca alternativas para ampliar renda, estimular atividade produtiva e diversificar a matriz econômica, os dados indicam que investir em cultura pode representar uma estratégia eficiente e de alto impacto.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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