O investimento em cultura e artes no Brasil, incluindo o Carnaval, apresenta um retorno econômico superior ao de setores tradicionais da indústria, como o automotivo. É o que revela a Pesquisa de Impacto Econômico da Lei Rouanet, elaborada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o Ministério da Cultura.

Os números ajudam a dimensionar o peso da economia criativa no país. Apenas em 2024, os projetos apoiados pelo mecanismo de incentivo cultural movimentaram cerca de R$ 25,7 bilhões na economia brasileira. Esse volume inclui não apenas os recursos diretamente captados, mas também toda a circulação financeira gerada a partir das atividades culturais.
Impacto vai além do palco e da avenida
O estudo destaca que o efeito econômico não se limita ao valor investido nos projetos. A movimentação envolve gastos do público com transporte, alimentação, hospedagem, comércio e serviços diversos, além da contratação de fornecedores e profissionais que atuam na cadeia produtiva cultural.
Somente no ano passado, mais de 228 mil postos de trabalho foram gerados ou mantidos por atividades vinculadas aos projetos incentivados. Isso significa renda para artistas, produtores, técnicos de som, iluminadores, costureiras, profissionais de cenografia, seguranças e trabalhadores de apoio, entre muitos outros.
Além da geração de empregos, a pesquisa aponta que os projetos culturais resultaram em aproximadamente R$ 3,9 bilhões em tributos municipais, estaduais e federais. Ou seja, parte significativa do investimento retorna aos cofres públicos por meio de impostos, fortalecendo a arrecadação e ajudando a financiar outras áreas essenciais.