A Rocinha, favela localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro, considerada uma das maiores da América Latina, atingiu 72 mil habitantes de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sua popularidade refletiu diretamente no setor turístico.
Dois aplicativos de turismo, “Na Favela Turismo” e o “Mototour”, registraram números altos de inscritos. No mês de janeiro, foram 40 mil visitantes, cinco vezes mais do que os 7.500 inscritos comparado com o mesmo mês do ano anterior, quando foi lançado o aplicativo.
Há alguns anos, a comunidade já está na rota do turismo. No entanto, após se popularizar entre celebridades, como a cantora espanhola Rosalía, novos lugares ficaram conhecidos e caíram na graça do público, como é o caso do RD Lounge, que, após a visita da diva pop, passou a ser conhecido como a Laje da Rosalía, já que o local recebeu a artista e alguns amigos para uma festa.
[instagram url=”https://www.instagram.com/p/DS7bQ1nDuPK/”]
Serviços oferecidos na Rocinha
A comunidade conta com diferentes serviços para turismo local. Entre os destaques, estão o Mirante da Rocinha, restaurante conhecido por sua vista e pela variedade de apresentações que acontecem no local.
[instagram url=”https://www.instagram.com/p/DTaghjRkS75/”]
Além disso, moradores alugam suas lajes para visitações, além de ofertar vídeos feitos com drone, fotos profissionais e comes e bebes. Indo além dos serviços que envolvem audiovisual, o local tem cerveja artesanal própria, a Sobe Aê!, pilsen produzida em Nova Friburgo e vendida desde dezembro de 2025 na Rocinha e no Vidigal, morro que também é ponto turístico no Rio.
[instagram url=”https://www.instagram.com/p/DOWv_kxkYoR/?img_index=4″]
Entenda o funcionamento do aplicativo que gerencia o turismo na Rocinha
O idealizador do aplicativo, Renan Monteiro, em entrevista ao InfoMoney, conta que os visitantes fazem check-in e são acompanhados online por meio de passeios a pé, de moto, ou por trilhas. Durante o percurso, existem pontos de apoio que permitem que o visitante use o banheiro, e se abrigue em casos de necessidade.
Leia também: Rio registra 91% de ocupação hoteleira para o Carnaval
“Desde o lançamento do aplicativo, passamos a cuidar muito da questão da segurança. Os roteiros são validados junto à associação de moradores e à comunidade local. Procuramos preservar a comunidade, mesmo fazendo um turismo imersivo, para que todos os visitantes conheçam a favela por inteiro e não superficialmente. Temos três mil guias cadastrados no app. Destes, 280 guias locais fazendo passeios a pé e 482, de moto”, explica Renan.
Rocinha registra crescimento de visitantes
O sistema criado pela prefeitura, chamado Observatório do Turismo Carioca, confirmou um crescimento da movimentação turística na Rocinha. Em janeiro deste ano, contabilizaram-se 41.852 turistas na favela, cerca de 37% a mais do que no mesmo mês do ano anterior.
Atualmente, a comunidade está posicionada no 16º lugar mais visitado do Rio de Janeiro. O fluxo de turistas internacionais e nacionais cresceu 34%, de 2024 para 2025, chegando a 292 mil no ano passado.

O maior aumento foi o de estrangeiros, com um crescimento de 93%, chegando a aproximadamente 88 mil visitantes em 2025. De acordo com o observatório da prefeitura, em 2025, entre os estrangeiros, estão: argentinos (20,5%) liderando as visitas, seguidos de americanos (12,3%), franceses (11,4%) e chilenos (8,7%). No turismo nacional no ano passado, os paulistas corresponderam a 32,1% do total, seguidos por Minas (14,4%), Ceará (9,8%) e Bahia (4,6%).
Valores cobrados pelo tour
Em sites como Viator e GetYourGuide, os valores vão de R$107 a R$450, dependendo da quantidade de horas e de visitantes. Nestes pacotes também existe a possibilidade de juntar diferentes passeios, com visitas a outros pontos turísticos.
No caso da Rocinha, esses valores incluem taxas de visitas às lojas e as taxas dos aplicativos. Além disso, a filmagem com drone, que é uma das principais procuras na Laje Porta do Céu, custa cerca de R$130.
O Jeep Tour, primeira atividade de turismo na Rocinha, começou em 1992 e segue até hoje com seus passeios. De acordo com Tomás Monnerat, representante da empresa, o valor por três horas de tour custa R$220.
Impacto econômico do turismo local
Com grande movimentação turística, o impacto econômico é medido de diferentes formas. Existe uma movimentação entre os estabelecimentos em funcionamento para atender aos visitantes. Em entrevista ao InfoMoney, o presidente da União Pró Melhoramentos da Rocinha, João Bosco de Castro, revelou que dos 400 restaurantes, bares e lanchonetes existentes na favela, entre 60 a 80 se adaptaram para atender os turistas.
Além disso, o mercado de aluguel dentro da comunidade também tem sido movimentado. São cerca de 200 imóveis alugados, por diárias que variam entre R$120 e R$300, dependendo da localização e estrutura.
O turismo é uma movimentação que vem fortalecendo a comunidade, como no caso de Cláudia de Oliveira, de 54 anos. Ela contou ao InfoMoney que largou a faxina e iniciou suas atividades como guia e host de quartos em aplicativos de hospedagem. Cobrando uma média de R$350 a diária, Cláudia revela que seu imóvel comporta até cinco hóspedes com conforto.
Por fim, João Bosco diz esperar que com essa movimentação do turismo, ações sejam feitas para melhorar a comunidade. “O turismo na Rocinha cresce porque é feito por moradores, para moradores, gerando renda, fortalecendo a autoestima local e apresentando a favela como território de cultura, inovação e potência econômica, muito além dos estigmas históricos”, ressalta o líder comunitário.


