O setor de turismo no Brasil cresceu 4,6% em 2025 e atingiu o maior nível da série histórica iniciada em 2011, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada nesta quinta-feira, 12 de fevereiro. O resultado marca o quinto ano consecutivo de expansão das atividades turísticas no país. Com o desempenho registrado em dezembro, o setor ficou 13,8% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020.
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O que mede o índice?
O indicador usado pelo IBGE é o Índice de Atividades Turísticas (Iatur). Desde 2011, ele reúne 22 atividades de serviços ligadas diretamente ao turismo, entre elas:
- Hotéis e pousadas;
- Agências de viagens;
- Serviços de reserva;
- Transporte aéreo de passageiros;
- Bufês e eventos.
Recuperação após a pandemia
O desempenho dos últimos anos mostra o impacto da Covid-19 e a recuperação do setor:
- 2020: queda de 36,7%
- 2021: alta de 22,2%
- 2022: alta de 29,9%
- 2023: alta de 7,2%
- 2024: alta de 3,6%
- 2025: alta de 4,6%
A forte retração de 2020 ocorreu devido às restrições sanitárias. Já os dois anos seguintes registraram crescimento acelerado com a retomada das viagens e eventos. Desde então, o setor mantém trajetória positiva, embora em ritmo mais moderado.
O que puxou o crescimento em 2025?
Segundo o IBGE, os principais motores da expansão foram:
- Transporte aéreo de passageiros;
- Serviços de bufê;
- Reservas de hospedagem;
- Hotéis.
O aumento da circulação de pessoas, eventos corporativos e viagens de lazer ajudou a impulsionar esses segmentos.
Estados que mais cresceram
Entre as 17 unidades da federação analisadas pelo IBGE, 14 apresentaram crescimento em 2025. Os destaques foram:
- Rio Grande do Sul: +11,4%
- Rio de Janeiro: +10,8%
- Bahia: +6,6%
- Paraná: +5,5%
- São Paulo: +3,9%
Mesmo com crescimento menor que outros estados, São Paulo teve a maior influência no resultado nacional, devido ao peso da economia paulista no cálculo do índice. Já os estados que registraram queda foram:
- Minas Gerais: -4,4%
- Mato Grosso: -1,2%
- Goiás: -0,4%
O Pará, que sediou a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) em novembro, fechou o ano com crescimento de 7,8% nas atividades turísticas. Apesar do bom resultado, o avanço foi menor que o de 2024 (9,7%), já que o evento teve duração limitada.
Turismo impacta o bolso?
O crescimento do setor tem reflexos diretos na economia, visto que há um aumento na geração de empregos, consequentemente existe um aumento de renda em hotéis, bares e restaurantes próximo ao local do evento ou ponto turístico, gerando maior circulação de dinheiro em cidades turísticas. Outro fator que impacta diretamente, é a expansão do transporte aéreo. O turismo é intensivo em mão de obra, ou seja, emprega grande número de trabalhadores, especialmente em serviços.
Serviços também cresceram
Considerando o setor de serviços como um todo, que inclui 166 atividades pesquisadas, o crescimento foi de 2,8% em 2025. Entre os segmentos que mais contribuíram estão: portais e serviços de internet, transporte aéreo, transporte rodoviário de carga, publicidade e desenvolvimento de software. Com o resultado de dezembro, o setor de serviços está 0,4% abaixo do recorde histórico (novembro de 2025) e 19,6% acima do nível pré-pandemia.
O recorde de 2025 consolida o turismo como um dos motores da recuperação econômica pós-pandemia. Embora o ritmo de crescimento esteja mais moderado do que nos anos imediatamente seguintes à covid-19, o setor demonstra estabilidade e continuidade na expansão.
Para 2026, o desempenho dependerá de fatores como a renda das famílias, o preço das passagens aéreas, a inflação e a confiança do consumidor.