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O futuro veste brechó: Casa Gamela Criativa nos ensina sobre o amanhã

Belo Horizonte sempre teve a capacidade de unir tradição e inovação sem perder sua identidade. E é exatamente essa a proposta da programação de junho da Casa Gamela Criativa, espaço localizado no Circuito Liberdade.

Entre os dias 18 e 20, o local recebe uma agenda cultural gratuita que convida o público a refletir sobre uma questão cada vez mais presente no dia a dia: como estamos consumindo, nos vestindo e nos alimentando?

A programação da Casa Gamela Criativa conecta cultura, empreendedorismo e sustentabilidade em um momento de transformação dos hábitos de consumo pós-pandemia | Foto: Reprodução/Xic Xic/ Ste Lorena
A programação da Casa Gamela Criativa conecta cultura, empreendedorismo e sustentabilidade em um momento de transformação dos hábitos de consumo pós-pandemia | Foto: Reprodução/Xic Xic/ Ste Lorena

Responder a essa pergunta significa pensar no futuro dos nossos hábitos. Consumir deixou de ser apenas um ato automático e passou a representar escolhas e valores. Minas Gerais tem dado exemplos que podem inspirar o restante do país.

Elke Rezende, CEO da Nossa Senhora das Produções e idealizadora da Gamela Criativa, acredita que o estado possui um ambiente favorável para unir moda, cultura e desenvolvimento local: "Minas Gerais é um polo criativo extremamente potente".

Ela destaca que o resgate dos saberes locais fortalece toda uma cadeia de pequenos empreendedores e aponta para iniciativas que nascem da base da pirâmide.

"Existem iniciativas muito inspiradoras, como o Remexe Favelinha, ação desenvolvida por uma cooperativa de moda sustentável e upcycling criada no Centro Cultural Lá da Favelinha, no Aglomerado da Serra. Transforma reutilização de materiais, formação e inclusão social em oportunidades reais."

Segundo a executiva, espaços físicos e feiras criativas continuam sendo fundamentais porque aproximam produtores e consumidores, indo além das vendas pela internet.

Consumo consciente e valorização dos territórios

Pensar o consumo em 2026 também passa pelas mudanças que ocorreram após a pandemia. O período alterou hábitos e fez muitas pessoas repensarem suas prioridades na hora de comprar produtos, especialmente roupas.

Laura Cafona, curadora do evento, toca na ferida exposta: consumir hoje é política pura, as marcas tiveram que pensar em experiência, e não somente em venda.

"A pandemia nos fez pensar muito mais sobre o conforto do que em peças ou produtos glamourosos em si. Hoje, então, o consumo é pensado na experiência do consumidor."

Mas esse movimento também convive com outro fenômeno: o avanço da Inteligência Artificial (IA). A tecnologia já está sendo utilizada na moda para criar avatares digitais para catálogos, simular caimentos de roupas e reduzir custos de produção. Porém, esse avanço também levanta questionamentos éticos e profissionais.

"É um processo que coloca em discussão a carreira de modelos e o uso das suas imagens, já que a IA trabalha a partir de dados já existentes", pondera Laura.

Ela também faz uma reflexão sobre os padrões de beleza reproduzidos pela tecnologia. "As imagens criadas pela IA costumam ser muito perfeitas. A pergunta que fica é: estamos em busca da perfeição ou nos identificamos mais com a realidade?"

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