O funk já passou faz tempo de ser apenas música de festa. O gênero está nas paradas, nas redes sociais, nos grandes eventos e também em campanhas de marcas. E, quando um MC estoura, o sucesso pode virar um negócio milionário.
Mas quanto um MC ganha por show? E qual deles está entre os que mais faturam no Brasil?
Os valores mudam bastante de um artista para outro. MCs que estão começando podem cobrar entre R$ 1 mil e R$ 5 mil por apresentação, enquanto nomes já consolidados chegam a cachês entre R$ 50 mil e R$ 200 mil. E há quem passe dessa faixa.
Um dos casos que mais chama atenção é o de MC Ryan SP, cujo cachê pode chegar a cerca de R$ 350 mil por show.

De onde vem o dinheiro dos MCs?
Quando um artista faz sucesso, o dinheiro não vem somente dos shows. A carreira pode envolver diferentes fontes de renda, que vão desde as plataformas digitais até contratos com grandes marcas.
Os shows costumam ser uma das principais fontes de renda. Quanto maior a popularidade e a procura pelo artista, maior tende a ser o valor cobrado por apresentação.
Também existe o dinheiro que vem do streaming. Spotify e YouTube, por exemplo, pagam pelas reproduções das músicas e dos vídeos. A cada milhão de streams, o ganho pode passar de R$ 10 mil.
As redes sociais abriram outra porta. MCs com milhões de seguidores conseguem chamar a atenção de empresas interessadas em publicidade. Dependendo do alcance do artista, um único post pode ultrapassar R$ 50 mil.
Campanhas, parcerias e collabs com marcas também entram nessa conta. Alguns artistas ainda ampliam os negócios com produtos próprios, como roupas, perfumes e acessórios.
MC Kevinho, Hariel, Livinho e Poze: quanto eles cobram?

O artista cobra mais de R$ 150 mil por show e também ganha com publicidade e reproduções nas plataformas digitais.
Outro nome de peso é MC Hariel, um dos destaques do funk paulista. Seu cachê fica na faixa de R$ 100 mil por apresentação, além dos ganhos obtidos com seus números nas plataformas digitais.

Já MC Livinho, dono de músicas como “Cheia de Marra”, cobra cerca de R$ 120 mil por show. Além da música, o artista também investe em projetos fora da carreira musical.
MC Poze do Rodo aparece em outra faixa, mas ainda com valores altos. O artista pode faturar até R$ 80 mil por apresentação e mantém uma presença forte nas redes sociais.
Funk brasileiro também virou negócio internacional
O alcance do funk brasileiro cresceu com parcerias com artistas internacionais, como J Balvin e Major Lazer. A aproximação com nomes de fora ajudou o gênero a alcançar novos públicos e abriu espaço para outras oportunidades. Entre elas estão turnês internacionais, novos contratos e cachês maiores.
Com tantas possibilidades de ganhar dinheiro, os próprios MCs também começaram a assumir um papel diferente dentro do mercado.

Eles deixaram de cuidar apenas da própria música e passaram, em alguns casos, a administrar negócios e até carreiras de outros artistas.
MCs viraram empresários
Durante um período importante da história do funk em São Paulo, as carreiras eram administradas por empresas especializadas. Entre as primeiras estavam Máximo e Nois Por Nois, que cuidavam de nomes como MC Guimê, Rodolfinho e Nego Blue.
A partir de meados dos anos 2010, a GR6 ganhou espaço no mercado ao reunir um grande número de artistas e assumir também a contratação de shows de funk no estado de São Paulo e em outras partes do país.

Pouco antes da pandemia, porém, MCs como Pedrinho e Kevin passaram a questionar a transparência da empresa em relação aos repasses das plataformas digitais.
Kevin foi o primeiro a rescindir com a GR6 e tentar administrar sozinho toda a carreira. No fim de 2020, criou a Revolução Records, responsável pelos lançamentos musicais e pela agenda de shows.
A experiência enfrentou dificuldades para fechar apresentações e divulgar os lançamentos. Em maio de 2021, MC Kevin morreu após cair do 11º andar de um prédio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Mesmo com os problemas enfrentados pela operação, a iniciativa chamou a atenção de outros funkeiros, que passaram a enxergar a possibilidade de administrar os próprios negócios.
Hoje, o dinheiro do funk pode estar no palco, no celular, nas plataformas de streaming, nas campanhas de publicidade e até nos negócios criados pelos próprios artistas. E, para os nomes que conseguem transformar fama em várias fontes de renda, o cachê de um show é apenas uma parte do que a carreira pode movimentar.


