A pergunta, portanto, é: quanto guardar e como começar?
1. Quando começar a reserva?
O ideal é começar o quanto antes. Quem inicia a poupança quando a criança ainda é pequena tem mais tempo para acumular recursos e pode aproveitar os benefícios dos juros compostos. Por exemplo, se os pais começam a guardar quando o filho tem 2 anos, terão cerca de 16 anos de acúmulo até o início da faculdade.
Nesse cenário, para acumular R$ 60 mil em 16 anos, considerando uma rentabilidade média de 0,7% ao mês (ou 8,7% ao ano), seria necessário aplicar aproximadamente R$ 162 por mês, segundo cálculos feitos com base em uma calculadora financeira.
Agora, se a reserva começa mais tarde, quando a criança já tem 10 anos, o tempo de contribuição cai pela metade. Para atingir o mesmo valor de R$ 60 mil em apenas 8 anos, com a mesma rentabilidade, seria necessário guardar cerca de R$ 442 por mês. Isso mostra como o tempo é um grande aliado no planejamento.
2. Onde investir esse dinheiro?
Guardar a reserva em uma simples poupança pode não ser o mais indicado, principalmente porque a rentabilidade da poupança está atualmente em torno de 0,5% ao mês quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, o que costuma ser inferior a outras opções de renda fixa.
As alternativas mais recomendadas para uma reserva de longo prazo são:
- Tesouro Direto (Tesouro IPCA+ com vencimento de longo prazo): oferece proteção contra a inflação e juros reais.
- CDBs de bancos médios com liquidez programada: podem render mais do que o Tesouro e são garantidos pelo FGC até R$ 250 mil.
- Fundos de renda fixa ou multimercados conservadores: recomendados para quem deseja diversificação com mais praticidade.
- Previdência privada (PGBL ou VGBL): indicada especialmente quando há benefícios fiscais ou para quem tem dificuldade de manter constância no investimento.
3. Quanto guardar por mês?
O valor ideal a ser guardado vai depender da meta de custo da faculdade e do tempo disponível até o início do curso. Abaixo, três exemplos práticos para uma faculdade de R$ 1.200 mensais, totalizando R$ 57.600 ao longo de 4 anos:
- Reserva em 18 anos (filho recém-nascido): aproximadamente R$ 130 por mês com rendimento de 0,7% ao mês
- Reserva em 10 anos: cerca de R$ 360 por mês
- Reserva em 5 anos: aproximadamente R$ 780 por mês
Esses cálculos consideram uma rentabilidade líquida e constante, o que nem sempre ocorre. Por isso, revisar o plano anualmente é essencial para ajustar os valores de acordo com o cenário econômico.
4. E se o filho optar por universidade pública?
Mesmo que o estudante ingresse em uma universidade pública, os custos não desaparecem. Transporte, alimentação, material didático, moradia (em caso de mudança de cidade) e outras despesas podem gerar uma média mensal de R$ 800 a R$ 1.200, segundo levantamento da consultoria Educa Insights.
Nesse caso, a reserva pode ser usada para garantir que o jovem estude com tranquilidade, sem depender exclusivamente de bolsas ou trabalhos de meio período.
5. Como manter a constância?
Manter uma reserva por muitos anos exige disciplina. Algumas estratégias ajudam:
- Automatizar o investimento por débito mensal na conta
- Escolher produtos com resgate difícil, para evitar usar o dinheiro antes da hora
- Evitar saques em momentos de crise e lembrar do objetivo de longo prazo
- Envolver o filho no processo a partir de certa idade, para que ele valorize o esforço feito
Juntar dinheiro para a faculdade dos filhos é possível, desde que o planejamento comece cedo. Com contribuições mensais acessíveis e bons investimentos, as famílias podem garantir a educação superior dos filhos sem depender de financiamentos estudantis ou apertos financeiros no futuro. Quanto mais cedo começar, menor será o esforço mensal e maior a tranquilidade no momento em que o jovem iniciar essa importante etapa da vida.


