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Cursos de educação financeira ganham espaço no Brasil

O interesse por educação financeira tem crescido no Brasil nos últimos anos, em meio ao aumento do endividamento das famílias e à busca por maior estabilidade econômica. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em julho de 2024, 78,1% das famílias brasileiras estavam endividadas, percentual mais alto desde o início da série histórica, em 2010. Diante desse cenário, cresce a procura por cursos e materiais que ensinam a organizar o orçamento, evitar dívidas e planejar investimentos.

Cresce a oferta de cursos de educação financeira no Brasil, tanto gratuitos quanto pagos | Foto: Reprodução/Canva
Com o aumento da procura, cresce a oferta de cursos de educação financeira no Brasil, tanto gratuitos quanto pagos | Foto: Reprodução/Canva

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) classifica a educação financeira como essencial para o desenvolvimento econômico de um país. Relatório de 2023 da entidade apontou que apenas 28% dos brasileiros adultos demonstram nível satisfatório de conhecimento financeiro, abaixo da média mundial de 34%.

Cursos gratuitos disponíveis no mercado

Diversas instituições públicas e privadas oferecem cursos de educação financeira sem custos, com o objetivo de ampliar o acesso da população a conteúdos básicos de finanças pessoais.

O Banco Central do Brasil disponibiliza gratuitamente, em seu site, a plataforma Educação Financeira – Aprender para Crescer, que reúne cursos e materiais sobre orçamento doméstico, uso do crédito, planejamento de aposentadoria e consumo consciente.

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) também mantém cursos online gratuitos, como Controle de Gastos Pessoais e Como Organizar o Orçamento Familiar, que podem ser feitos de forma autoinstrucional.

Outro destaque é a Fundação Getulio Vargas (FGV), que oferece o curso Como Organizar o Orçamento Familiar, totalmente gratuito e com certificado. O conteúdo aborda desde a importância de separar despesas fixas e variáveis até dicas de como criar reservas financeiras.

Opções pagas para aprofundar o conhecimento

Além dos gratuitos, há também opções pagas voltadas a quem deseja avançar no tema e compreender aspectos como investimentos, aposentadoria e finanças comportamentais.

A B3, bolsa de valores do Brasil, em parceria com a plataforma de educação financeira TradersClub, lançou cursos online com foco em investimentos. Os preços variam conforme o nível, mas os programas mais completos podem custar a partir de R$ 600.

A XP Educação, braço educacional da corretora XP Investimentos, oferece formações mais extensas, como o curso Formação em Educação Financeira e Investimentos, voltado para iniciantes. Os valores ficam em torno de R$ 1.200.

Já o Instituto DSOP, fundado pelo educador financeiro Reinaldo Domingos, disponibiliza cursos presenciais e online sobre planejamento financeiro pessoal e familiar, com preços a partir de R$ 300.

Leia também: Juros futuros caem e influenciam bolso do brasileiro; entenda

Educação financeira nas escolas

Em 2020, a educação financeira passou a ser parte obrigatória da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que norteia os currículos escolares em todo o país. A disciplina, no entanto, não aparece como matéria isolada, mas como tema transversal, inserido em disciplinas como matemática e ciências humanas.

Segundo levantamento do Banco Mundial publicado em 2023, a implementação desse conteúdo ainda é desigual entre os Estados brasileiros. Enquanto algumas redes já incorporaram práticas de planejamento financeiro em sala de aula, outras ainda estão em processo de adaptação.

Impacto no dia a dia das famílias

O acesso a cursos e materiais de educação financeira é apontado como uma das formas mais eficazes de reduzir o endividamento e aumentar a capacidade de poupança. Pesquisa da Serasa, divulgada em abril de 2024, mostrou que 67% das pessoas que buscaram cursos de finanças pessoais conseguiram reduzir gastos em até três meses.

A mesma pesquisa apontou que 41% dos participantes desses cursos conseguiram sair da inadimplência em até seis meses após aplicar os conhecimentos adquiridos. Esses números reforçam a importância da disseminação de iniciativas voltadas para o aprendizado financeiro.

Perspectivas para os próximos anos

O avanço da digitalização tem ampliado a oferta de cursos de educação financeira em formato online, o que facilita o acesso em todas as regiões do Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), o número de cursos online livres cresceu 19% em 2023, e a tendência é que esse movimento continue em alta.

Com o endividamento em níveis recordes e a popularização dos meios digitais de pagamento, como o Pix, o tema tende a se tornar ainda mais relevante para a vida do brasileiro.

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