Celulares e mudanças nas regras
O levantamento ocorreu em paralelo à Lei 15.100, sancionada em janeiro de 2025, que restringe o uso de celulares em escolas. Os dados mostram que a proibição de aparelhos aumentou: em 2023, 28% das instituições não permitiam o uso do telefone pelos alunos. Em 2024, essa proporção subiu para 39%.
Entre as escolas que ainda permitem celulares em determinados espaços e horários, a taxa caiu de 64% em 2023 para 56% em 2024. A queda foi mais significativa em escolas rurais, onde a permissão recuou de 47% para 30%.
Acesso à internet e desigualdades
A pesquisa apontou que 96% das escolas brasileiras têm acesso à internet. O crescimento foi expressivo nas escolas municipais, onde o índice passou de 71% em 2020 para 94% em 2024, e nas rurais, que saíram de 52% para 89% no mesmo período.
Apesar disso, ainda existem desigualdades. Nas escolas estaduais, 67% dos alunos utilizam a internet em atividades escolares, enquanto na rede municipal essa proporção é de apenas 27%. Entre as escolas municipais, 75% possuem pelo menos um espaço com conexão à internet, mas apenas 51% oferecem computadores para atividades educacionais e 47% dispõem de dispositivos conectados para os estudantes.
Formação de professores em queda
Outro ponto levantado foi a redução no número de professores que participaram de formações sobre uso de tecnologia digital em sala de aula. Em 2021, 65% dos docentes haviam realizado cursos de capacitação. Em 2024, o índice caiu para 54%. A redução foi mais acentuada entre professores da rede pública municipal, de 62% em 2021 para 43% no último ano.
A coordenadora da pesquisa destacou que a formação continuada é essencial para que os professores orientem melhor os estudantes no uso seguro e crítico das tecnologias digitais, incluindo a inteligência artificial. Segundo o estudo, 67% dos docentes que participaram de formações afirmaram que as atividades ajudaram na orientação dos alunos.


