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Turmas lotadas: Brasil tem maior proporção de estudantes por professor no ensino superior privado

O Brasil aparece como o país com maior número de estudantes por professor no ensino superior privado, conforme dados do relatório Education at a Glance (EaG) 2025, da OCDE. No setor privado brasileiro há, em média, 62 estudantes para cada docente. Nos países da OCDE com dados disponíveis essa média é de 18 alunos por professor.

No ensino superior público brasileiro o padrão se inverte. O Brasil tem média de 10 alunos por professor, número inferior à média da OCDE, que é de 15 alunos por docente nesse setor.

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Turmas numerosas em universidades privadas refletem a proporção de 62 alunos por professor no Brasil, a maior entre os países da OCDE | Foto: Reprodução/Canva
Turmas numerosas em universidades privadas refletem a proporção de 62 alunos por professor no Brasil, a maior entre os países da OCDE | Foto: Reprodução/Canva

Papel da educação a distância e da matrícula privada

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) esse elevado número de alunos por docente no setor privado está ligado em boa parte ao crescimento das matrículas em Educação a Distância (EaD). A EaD concentra grande parte das matrículas privadas do ensino superior, o que impacta diretamente nessa razão entre estudantes e professores.

O relatório também informa que o ensino superior no Brasil tem cerca de 9,9 milhões de estudantes matriculados no último Censo da Educação Superior de 2023. Destes, 79,3% estão em instituições privadas.

Entre os ingressantes desses cursos privados, 73% matriculam-se em cursos a distância. Na rede pública, a situação é diferente: 85% dos ingressantes estão em cursos presenciais.

Envelhecimento docente no Brasil

Outro dado relevante tratado pelo estudo e destacado pelo Inep refere-se à composição etária dos professores no ensino superior. Entre 2013 e 2023 houve um aumento de 23% no número de docentes com 50 anos ou mais, chegando a 33,8% dos professores nessa faixa etária no Brasil.

A média da OCDE para essa faixa etária é ainda maior, 40,4%, o que indica que o fenômeno do envelhecimento docente não é isolado ao Brasil.

Comparativo internacional

O relatório EaG 2025 da OCDE reúne dados de 38 países-membros da organização, além de nações parceiras como Argentina, China, Índia e Brasil. O destaque deste ano foi sobre o ensino superior, com análises de matrículas, taxas de conclusão, desempenho e organização dos sistemas educacionais.

A discrepância entre setor público e privado no Brasil, em termos de alunos por professor, mostra que embora o setor privado atenda a maioria dos estudantes, isso ocorre com uma carga docente muito maior por docente do que na rede pública no país e comparada a outros países da OCDE.

Possíveis implicações e desafios

Números elevados de alunos por professor podem ter repercussões em vários aspectos do ensino superior. Entre eles estão menor disponibilidade de atenção individualizada ao aluno, sobrecarga de trabalho para docentes, possíveis impactos na qualidade do ensino e no engajamento acadêmico.

O crescimento da EaD traz vantagens e desafios. Ele permite ampliar o acesso ao ensino superior em locais distantes ou com falta de infraestrutura presencial, mas exige medidas específicas de monitoramento de qualidade, capacitação docente para o formato online e políticas que garantam equivalência de aprendizado com o presencial.

O envelhecimento docente também impõe uma reflexão sobre políticas de formação de novos professores, incentivos para ingresso na carreira acadêmica e condições de trabalho que tornem o magistério superior mais atraente para gerações mais jovens.

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