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Relatório mostra que muitos adolescentes não se sentem acolhidos nas escolas

Um relatório do Ministério da Educação (MEC) divulgado na última terça-feira, 9 de setembro, trouxe informações importantes sobre como adolescentes veem a escola no Brasil. O documento se chama Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas e ouviu 2,3 milhões de estudantes em todo o país.

Relatório do MEC mostra panorama das escolas
O objetivo foi entender como eles percebem a aprendizagem, o ambiente escolar e a convivência com colegas e adultos | Foto: Reprodução/ Canva

Confiança nos adultos da escola

O principal dado mostrado no relatório é que muitos adolescentes ainda não se sentem realmente acolhidos nas escolas. Entre os alunos do 6º e 7º anos, 75% disseram confiar em pelo menos um adulto na escola, mas apenas 58% afirmaram se sentir acolhidos.

A situação é mais difícil para os estudantes do 8º e 9º anos: 66% confiam em algum adulto, mas só 45% se sentem acolhidos. Isso mostra que, quanto mais os alunos crescem, menor é a sensação de segurança e acolhimento no ambiente escolar.

Relacionamento e amizades

O estudo também avaliou como os adolescentes percebem o relacionamento e a socialização na escola. Entre os mais novos, do 6º e 7º anos, 65% acreditam que a escola favorece amizades e interações sociais. Já entre os mais velhos, do 8º e 9º anos, esse número cai para 55%.

Mesmo assim, a maioria dos estudantes disse ter amigos no ambiente escolar: 84% dos mais novos e 83% dos mais velhos afirmaram ter colegas com quem gostam de estar.

Participação nas decisões escolares

Outro ponto analisado foi a participação dos estudantes nas decisões das escolas. Nos 6º e 7º anos, 62% disseram se sentir engajados, enquanto 30% afirmaram “mais ou menos” e 8% responderam que não se sentem engajados.

Nos 8º e 9º anos, o engajamento cai: apenas 47% se sentem envolvidos, 39% disseram “mais ou menos” e 14% afirmaram não participar. Além disso, apenas 31% dos mais velhos disseram ter liberdade para se expressar nas escolas, o que mostra que boa parte dos adolescentes não sente espaço para dar sua opinião.

Apoio da escola no aprendizado

Na parte que fala sobre “aprendizado e autoconhecimento”, 67% dos estudantes do 6º e 7º anos disseram que a escola apoia seu desenvolvimento intelectual e pessoal. Outros 28% consideraram esse apoio apenas parcial e 4% disseram que não recebem esse suporte.

Já entre os alunos mais velhos, do 8º e 9º anos, a visão é menos positiva. Eles são mais críticos sobre o papel da escola no apoio ao seu crescimento.

Conhecimento nas disciplinas

Sobre o aumento de conhecimento nas matérias ensinadas, 69% dos alunos mais novos acreditam que a escola contribui bastante. No caso dos estudantes mais velhos, o índice é de 67%.

Quando o assunto são as disciplinas tradicionais, como linguagens e ciências, 48% dos alunos do 6º e 7º anos acreditam que esses conteúdos ajudam em seu desenvolvimento para a vida. Entre os alunos do 8º e 9º anos, o percentual cai para 38%.

Interesses dos adolescentes

O relatório também perguntou sobre os interesses dos estudantes. Quatro em cada dez adolescentes afirmaram que esportes e bem-estar são centrais para o seu desenvolvimento. Entre os alunos mais novos, o interesse por arte e cultura é maior. Já os mais velhos mostraram preferência por conteúdos ligados ao autoconhecimento e à saúde mental, temas que têm ganhado importância entre os adolescentes.

De forma geral, o estudo mostra que os alunos mais novos, do 6º e 7º anos, têm uma visão mais positiva sobre a escola. Eles se sentem mais acolhidos, confiam mais nos adultos, participam mais das decisões e valorizam mais as disciplinas tradicionais.

Já os adolescentes do 8º e 9º anos se sentem menos acolhidos, menos engajados e menos livres para se expressar. Isso indica que a escola precisa olhar com mais atenção para esse grupo, que está em fase de transição para o ensino médio e pode estar enfrentando mais desafios pessoais e sociais.

O relatório foi feito em parceria com o Itaú Social, o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), a Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação) e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

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