Os estudantes inscritos no Enem 2026 já podem consultar a nova cartilha com orientações para a redação. O material foi disponibilizado na última sexta-feira, 18 de setembro, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e reúne as principais regras da prova, exemplos de redações bem avaliadas e explicações sobre os critérios usados pelos corretores.
A cartilha A Redação do Enem 2026 – Cartilha do Participante pode ser baixada no site do Inep. Também estão disponíveis versões específicas para participantes surdos ou com deficiência auditiva, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e estudantes com dislexia.

O que o estudante precisa fazer na redação?
Na prova, o participante deverá escrever um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, a partir de um tema proposto pelo Inep e de textos que servirão como apoio para a elaboração da redação.
A cartilha explica que não basta apresentar informações sobre o assunto. O estudante precisa organizar os argumentos, defender um ponto de vista e construir o texto de maneira que as ideias tenham relação entre si.
O material também apresenta exemplos de redações que receberam notas altas no Enem 2025, acompanhados de comentários dos corretores. A proposta é mostrar, por meio de textos reais, como os critérios de avaliação aparecem na prática.
Entre as recomendações para quem está se preparando está o hábito da leitura, que pode ajudar a ampliar o vocabulário, aumentar o repertório sociocultural e contribuir para a elaboração de propostas de intervenção.
Um dos alertas da cartilha é justamente sobre o uso de referências prontas. O Inep chama atenção para o chamado “repertório de bolso”, expressão usada para descrever citações e referências decoradas que são colocadas na redação sem uma relação adequada com o tema.
A cartilha explica que esse tipo de repertório pode aparecer de forma genérica e pouco aprofundada, mesmo quando a referência não combina de fato com o assunto proposto.
Redação do Enem vale até mil pontos
A correção é dividida em cinco competências. Cada uma vale até 200 pontos, fazendo com que a nota máxima da redação seja de mil pontos.
Os avaliadores observam, entre outros pontos, o domínio da escrita formal da língua portuguesa, a compreensão do tema, a organização das informações e dos argumentos, a ligação entre as ideias e a elaboração de uma proposta para enfrentar o problema apresentado.
Essa proposta deve respeitar os direitos humanos. Entre os princípios considerados estão a dignidade humana, a igualdade de direitos, o reconhecimento das diferenças e diversidades, o Estado laico, a democracia na educação e a sustentabilidade socioambiental.
Cada redação será corrigida por dois avaliadores. A nota final será calculada a partir da média das notas totais atribuídas por eles.
O que pode zerar a redação?
A cartilha também apresenta situações que podem levar a nota zero ou à anulação da redação. Uma delas é fugir do tema, deixando de desenvolver tanto o assunto mais amplo quanto o recorte específico proposto na prova.
Também podem zerar a redação a inclusão de uma parte deliberadamente desconectada do restante do texto, a identificação do candidato fora do espaço destinado para isso e a produção de um texto com extensão insuficiente.
Outros casos são escrever predominantemente ou integralmente em língua estrangeira ou apresentar uma letra ilegível a ponto de impedir a leitura por dois avaliadores independentes.
A cópia de trechos dos textos da própria prova de redação ou do caderno de questões também exige atenção. Segundo a cartilha, as linhas copiadas serão descontadas do total de linhas da redação.
Por isso, além de estudar temas e ampliar o repertório, o candidato precisa conhecer as regras da avaliação e entender como organizar as próprias ideias dentro do formato exigido pelo exame.
Enem terá nova função em 2026
O Enem é uma das principais formas de acesso ao ensino superior no Brasil, já que seus resultados são usados em programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
As notas também podem ser utilizadas por instituições de ensino públicas e privadas em seus processos seletivos e por instituições de ensino de Portugal que têm convênio com o Inep.
Desde 2025, o exame voltou a permitir a certificação da conclusão do ensino médio para participantes com 18 anos completos que atinjam a pontuação mínima exigida em cada área do conhecimento e na redação.
Em 2026, o Enem também passa a ser usado para avaliar a qualidade do ensino médio brasileiro, ampliando a função do exame no acompanhamento das políticas educacionais.
Com a nova cartilha, os participantes podem conhecer com antecedência os critérios que serão utilizados na correção e usar as orientações para direcionar a preparação para a redação.


