Inovação na experiência dos passageiros
Fundada em 2016, a Natilus já havia apresentado o modelo de cargueiro Kona, um avião sem piloto que também adota o design de corpo de asa integrada. O CEO e cofundador Aleksey Matyushev afirma que esse conceito foi desenvolvido na década de 1990 pela McDonnell Douglas, fabricante americana que se fundiu com a Boeing. Embora a Boeing tenha investigado o conceito e produzido o protótipo X-48, não houve tentativa de comercialização.
A Natilus revelou que o Kona já possui 400 pedidos, e um modelo em escala real será construído e testado nos próximos dois anos. Grande parte da tecnologia será transferida para o Horizon, que terá cabine tradicional e tripulação.
De acordo com Matyushev, o Horizon deverá começar a operar até 2030 — um prazo desafiador, dado que é incomum para uma aeronave nova passar do design à certificação completa em apenas seis anos.
“Uma das grandes dificuldades do design de corpo misto é a estabilidade e o controle”, explica Matyushev. “Acredito que foi justamente esse o ponto em que a McDonnell Douglas e a Boeing tiveram problemas — como estabilizar o avião?”. Ele menciona que uma possível solução seria a utilização de sistemas avançados de controle de voo — essencialmente, computadores, o que causou problemas no Boeing 737 Max. Outra abordagem seria otimizar a aerodinâmica, o que a Natilus escolheu, diferenciando-se da JetZero.
O novo modelo traz benefícios consideráveis. “O arrasto é reduzido em 30%, e ao mesmo tempo, conseguimos diminuir o peso do avião para transportar a mesma quantidade de passageiros ou carga, o que é um grande diferencial”, comenta Matyushev. “Com um avião menor, você tem motores menores, que consomem menos combustível. Quando você combina esses fatores, as emissões por assento podem cair até 50%.”
A ampliação do espaço interno da fuselagem, que deixou de ter o formato tubular, permite novas configurações internas. “Temos cerca de 30% mais espaço no piso em comparação a um avião convencional”, afirma Matyushev. “Muitos de nossos clientes estão considerando melhorar a experiência do passageiro. Será possível trazer de volta o lounge? E outros espaços podem ser aproveitados em voos mais longos?”
Apesar das inovações, o Horizon manterá motores de tecnologia existente, sem opções a hidrogênio ou elétricas. “Na aviação, existe uma piada: nunca coloque um motor novo em uma aeronave nova. Isso é muito arriscado”, brinca Matyushev. Por esse motivo, o Horizon foi projetado para se adaptar à infraestrutura já existente nos aeroportos, onde aviões como o Boeing 737 ou o Airbus A320 operam, sem a necessidade de modificações.


