O que está em jogo na COP29?
O principal objetivo da COP29 é definir uma estratégia mais robusta de financiamento climático, especialmente para os países em desenvolvimento e comunidades vulneráveis, que são os maiores afetados pelas mudanças climáticas, mas que menos contribuem para a crise. Desde 2009, os países ricos prometeram um financiamento anual de US$ 100 bilhões, mas este valor ainda não foi alcançado de maneira consistente. A meta atual é que o financiamento climático atinja trilhões de dólares, com um foco em medidas de adaptação e mitigação.
Ricardo Assumpção, especialista em sustentabilidade, afirma que a COP29 pode ser vista como uma “COP do financiamento”, que tentará destravar os recursos necessários para enfrentar a transição energética e o aumento da resiliência dos países vulneráveis. Isso inclui investimentos em energias renováveis, infraestrutura resiliente e soluções para a redução das emissões de carbono.
No entanto, o temor é que o evento não avance com a ambição necessária diante do cenário de agravamento da crise climática e do retrocesso em várias partes do mundo, com países como os Estados Unidos e a China, maiores emissores globais de gases de efeito estufa, afastando-se de compromissos firmes.
Além do financiamento climático, a COP29 também é crucial para a definição de políticas de adaptação às mudanças climáticas, um tema cada vez mais urgente. Com a intensificação de fenômenos climáticos extremos como enchentes, secas e ondas de calor, a necessidade de criar cidades mais resilientes se torna ainda mais premente. Segundo Assumpção, os eventos climáticos extremos têm mostrado que tanto governos quanto empresas precisam estar mais preparados para os custos elevados de adaptação.


